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DOCES E SALGADOS

22/10/2018 08:22 por Redação

Assassinato de Khashoggi foi "erro grave", admite Arábia Saudita

Depois de 20 dias, governo saudita reconhece que jornalista dissidente foi morto no consulado em Istambul, mas isenta príncipe

O governo da Arábia Saudita admitiu neste domingo (21) que o assassinato do jornalista Jamal Khashoggi no consulado do país em Istambul foi um “erro enorme e grave”, mas procurou blindar o poderoso príncipe herdeiro da crise, dizendo que Mohammed bin Salman não estava ciente do caso.

“Essa operação foi clandestina. Essa foi uma operação na qual indivíduos acabaram excedendo a autoridade e as responsabilidades que tinham”, disse o ministro saudita de Relações Exteriores, Adel al-Jubeir, à rede norte-americana Fox. “Eles cometeram um erro quando mataram Jamal Khashoggi no consulado e tentaram acobertar”, afirmou.

As semanas de negativas e a falta de provas palpáveis diante das alegações de autoridades da Turquia, segundo as quais Khashoggi foi assassinado, abalaram a confiança global nos laços com o maior exportador de petróleo do mundo, relata a Reuters.

O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Stephen Mnuchin, disse que a admissão saudita de que o colunista do Washington Post foi morto durante uma briga foi um “bom primeiro passo, mas não o suficiente”, mesmo assim acrescentando que é prematuro debater sanções contra Riyadh.

Três potências europeias — Alemanha, Reino Unido e França — pressionam a Arábia Saudita para que apresente fatos, e a chanceler alemã, Angela Merkel, disse que a Alemanha não exportará armas ao reino enquanto persistir qualquer incerteza a respeito do que aconteceu a Khashoggi.

O ministro Jubeir transmitiu as condolências para toda a família de Khashoggi na manhã de domingo. Ontem à noite, o governo saudita disse que tanto o rei Salman quanto o príncipe Mohammed ligaram para o filho de Khashoggi, Salah, para dar seus pêsames.

Khashoggi, cujo aniversário de 59 anos ocorreu no puyltimo dia 13, desapareceu depois de entrar no consulado para obter documentos para se casar. Depois de uma quinzena negando qualquer envolvimento em seu desaparecimento, Riyadh declarou no último sábado (20) que Khashoggi, um crítico do príncipe, morreu “durante uma briga” no edifício. Uma hora mais tarde outra autoridade saudita atribuiu sua morte a uma “chave de braço”.

Leia: Turquia faz nova busca no consulado saudita em Istambul.

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