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11/04/2019 07:41 por Advillage

Julian Assange é preso na embaixada do Equador em Londres

Scotland Yard diz que foi "convidada" a entrar na representação diplomática pelo atual governo equatoriano

ASSANGE
O jornalista, escritor e ativista hacker australiano Julian Assange, fundador do site Wikileaks, foi preso na manhã desta quinta-feira (11) na embaixada do Equador em Londres. Além de cancelar seu asilo diplomático, o governo equatoriano autorizou a polícia britânica a entrar na embaixada para efetuar a prisão. Assange, de 47 anos, opôs resistência e foi arrastado pelos agentes até a van que o aguardava diante do prédio.

"A polícia metropolitana foi convidada à embaixada pelo embaixador (do Equador) após a retirada do asilo pelo governo equatoriano", afirmou a Scotland Yard, em comunicado. O australiano foi levado para uma delegacia do centro de Londres, onde permanecerá até uma audiência com um juiz “o mais rápido possível”, completa a nota oficial.

Julian Assange se refugiou na sede diplomática do Equador em junho de 2012 para evitar ser extraditado à Suécia, onde era acusado de estupro. O caso em questão foi arquivado posteriormente, mas um mandado de prisão britânico ainda estava vigente por descumprimento de seus compromissos de liberdade condicional, lembra a Rádio França Internacional. O então presidente equatoriano, Rafael Correa, concedeu o asilo depois que o jornalista denunciou um plano dos Estados Unidos para julgá-lo e condená-lo à morte pela publicação de milhares de documentos secretos da diplomacia e inteligência americanas no Wikileaks.

O atual presidente do Equador, Lenín Moreno, que se elegeu em 2017 com o apoio de Correa, do qual foi vice-presidente, escreveu no Twitter que decidiu ”soberanamente retirar o asilo diplomático de Julian Assange por [ele] violar repetidamente as convenções internacionais e o protocolo de convivência".

Dia de luto mundial, diz Correa

O ex-presidente Rafael Correa, exilado na Bélgica desde 2017, acusou seu sucessor de ser “o maior traidor da história latino-americana, de cometer um crime ao entregar o fundador do Wikileaks à polícia britânica”. “Moreno é um corrupto, que comete um crime que a humanidade nunca irá esquecer”, tuitou Correa. “Esta decisão coloca a vida de Assange em perigo e humilha o Equador”, acrescentou Correa. “Dia de luto mundial”, concluiu o ex-presidente socialista.

Assange sempre temeu ser extraditado da Suécia para os Estados Unidos, onde receia ser condenado à pena de morte por ter divulgado, em 2010, 500 mil documentos classificados como confidenciais sobre o Iraque e o Afeganistão, assim como 250 mil correspondências diplomáticas.

Reabertura do caso de estupro

Assange teve a sua extradição pedida pelas autoridades suecas no final de 2010, por conta de quatro acusações de abuso sexual, supostamente ocorridas em agosto, em Estocolmo, contra duas colaboradoras do Wikileaks. A Suécia tem leis duras contra crimes sexuais. O que esteve em causa não foi a ocorrência de relações sexuais forçadas - ambas as acusadoras afirmam que o ato foi consensual, sem ameaças físicas ou verbais.

O que se discutiu na época é se Assange se aproveitou do “estado de vulnerabilidade” de uma das mulheres e se ele as ludibriou sobre o uso de preservativo. E uma das mulheres disse que o ativista, na segunda vez que fez sexo com ela, tentou manter relações enquanto ela dormia. Julian Assange sempre negou as acusações.

Logo após o anúncio da prisão desta quinta-feira, a advogada de uma das suecas disse que sua cliente quer a reabertura da investigação. Em maio de 2017, quando faltavam três anos para a prescrição da denúncia, e sem condições de levar as investigações adiante, a Suécia arquivou o caso. "Vamos fazer de tudo para que os procuradores reabram a investigação sueca e que Assange seja enviado para a Suécia e levado à Justiça por estupro", afirmou Elisabeth Massi Fritz, em entrevista à agência AFP.

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