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DOCES E SALGADOS

08/05/2019 08:53 por Redação

EUA não cumprem 'barganha' e mantêm silêncio sobre o Brasil na OCDE

Washington diz que entrada de novos membros deve vir num contexto de sua modernização; governo brasileiro afirma que acordo está mantido

Os Estados Unidos mantiveram o impasse sobre a adesão de novos membros na Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). A expectativa nos meios diplomáticos era de o governo Trump aproveitar a reunião do Conselho de Representantes na OCDE, ocorrida ontem (7), a última que antecede a conferência ministerial de 22 e 23 deste mês em Paris, para enfim desbloquear a demanda brasileira e de outros países para aderir à organização. Isso é considerado importante para impulsionar reformas e integrar mais o Brasil na economia global.

O Valor Econômico apurou, porém, que a delegação americana mais uma vez repetiu que "não tinha instruções" para uma decisão do conselho sobre possível adesão de novos membros. Os americanos reafirmam a representantes brasileiros que o governo Trump apoia a entrada do Brasil na OCDE. Mas que o alargamento da entidade deve vir num contexto de sua modernização, sem dizer exatamente o que isso quer dizer.

O que continua sobre a mesa, oficialmente, é a proposta que Washington apresentou em dezembro, na qual apoiava a entrada da Argentina e, para assegurar isso, aceitava ao mesmo tempo a adesão da Romênia, demandada pela União Europeia. Até o momento a os EUA não mudaram seu documento para incluir o Brasil em sua proposta ao lado dos argentinos. O que parece certo é que os europeus vão querer emplacar o mesmo número de países que os americanos. Além da Romênia, a Bulgária está na lista para negociar adesão, escreve o Valor.

Ao mesmo tempo, o governo de Donald Trump elogiou a "posição de liderança" do Brasil em abrir mão do Tratamento Especial e Diferenciado (TED) em acordos da Organização Mundial do Comércio (OMC). Esta é a contrapartida para o apoio da Casa Branca às pretensões brasileiras na OCDE. Ou seja, a barganha feita entre Jair Bolsonaro e Donald Trump no dia 19 de março está desequilibrada até o momento.

OMC - Também ontem, em reunião da OMC em Genebra, o Brasil reiterou que não vai alterar seu status de país em desenvolvimento, mas não pedirá TED em negociações de acordos em curso ou no futuro. No entanto, frisou que vantagens obtidas por meio do TED no passado, e em vigor, serão mantidas.

“Nada mudou”

Coube ao assessor especial para assuntos internacionais do governo Bolsonaro, Filipe Martins, comentar publicamente a postura de diplomatas americanos que se mantiveram em silêncio na reunião da OCDE, anota o Estadão

“A posição do governo americano em relação ao ingresso do Brasil na OCDE é exatamente a mesma que foi adotada pelo presidente Donald Trump no dia 19 de março: a de apoio claro e inequívoco ao início do processo de ingresso do nosso país na organização”, escreveu Martins no Twitter. Segundo ele, “há um impasse sobre o número de vagas a serem abertas na organização, decisão que demandará consenso: enquanto países europeus desejam abrir 6 vagas, outros desejam abrir apenas 4, mas todos apoiam o acesso do Brasil”.

Veja o conteúdo sobre o Brasil no portal da OCDE, aqui.

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