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DOCES E SALGADOS

06/09/2019 08:42 por Redação

À beira da falência, Aigle Azur suspende todos os voos a partir de sábado

Aérea francesa estaria pagando caro por apostar errado nos voos low-cost, inclusive nos trajetos transatlânticos, como ao Brasil

A companhia aérea francesa Aigle Azur, que entrou com pedido de recuperação judicial, suspendeu desde o início da semana dezenas de voos por falta de recursos para garantir o serviço. Pegos de surpresa, milhares de brasileiros que haviam comprado passagem ficaram sem o bilhete – e muitos deles não receberam, até o momento, o reembolso do valor pago, relata a Rádio França Internacional.

Todos os voos para o Brasil (Viracopos, em Campinas), Mali e Portugal foram cancelados subitamente nesta quinta-feira (5), “diante dos imperativos de segurança”.

Em comunicado, a companhia aérea diz que “em conexão com as autoridades francesas da aviação civil e os órgãos do processo de recuperação judicial, a Aigle Azur, em grande dificuldade econômica, infelizmente é obrigada a cancelar todos os seus voos a partir do sábado, 7 de setembro. A situação financeira da empresa, a pressão dos credores e prestadores de serviços e o impacto psicológico nos funcionários e parceiros não permitem garantir os voos em perfeita segurança”.

O Ministério das Relações Exteriores da França divulgou nota orientando os passageiros com voos cancelados a consultar outras companhias aéreas sobre a possibilidade de se beneficiar de tarifas preferenciais nestas circunstâncias.

Os passageiros que pagaram suas passagens com cartão de crédito devem entrar em contato com o serviço de atendimento ao cliente da operadora do cartão para obter informações sobre as condições de seguro e as possibilidades de reembolso de suas passagens. "Os passageiros com seguro viagem são incentivados a entrar em contato com a seguradora", diz a nota.

A diplomacia francesa afirma ainda que os passageiros que reservaram sua estadia em uma agência de viagens europeia como parte de uma viagem organizada (voos + acomodação + outros serviços possíveis) devem entrar em contato com a agência para obter informações.

De acordo com o procedimento de recuperação, enquadrado pela justiça comercial francesa, a empresa tem prazo até segunda-feira (9) para conseguir um comprador e evitar a falência. 

Voos transatlânticos low-cost: aposta arriscada

Os problemas financeiros da aérea francesa se arrastam desde o início do ano e levaram até à devolução de alguns aviões, assinala a RFI. A escalada de desentendimentos entre acionistas resultou na “desconfiança e deterioração do clima social” e motivou agora o pedido de insolvência, admitiu a companhia num comunicado interno, divulgado pela imprensa francesa.

A empresa é uma das mais antigas da França: fundada em 1946, transportou quase dois milhões de passageiros em 2018, com faturamento de € 300 milhões no período. O que a levou à beira da falência em tão pouco tempo foi a aposta nos voos low-cost, inclusive nos trajetos transatlânticos, como ao Brasil. “Passamos a fazer Paris-Berlim por € 30, mas o nosso modelo econômico era baseado em tarifas de € 300 para ir para a Argélia”, revelou um piloto ao jornal Libération.

A Aigle Azur tem 11 aviões e 1.150 funcionários, que acompanham com apreensão o desenrolar dos acontecimentos. Na quarta-feira (4), o diretor-presidente Frantz Yvelin pediu demissão.  

O futuro da empresa agora depende das ofertas que a companhia pode receber nos próximos quatro dias. Há diversos compradores potenciais, como Gérard Houa, um acionista minoritário, a Air France ou ainda Lionel Guérin e Philippe Micouleau, ex-dirigentes da Air France.

Outra companhia europeia, a Norwegian, passa por problemas semelhantes. A Air France chegou a se seduzir pelo desafio, com a Joon - que fechou apenas um ano depois de iniciar o serviço a baixo custo, que fazia o trajeto Paris-Fortaleza.

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