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13/06/2019 16:27 por Advillage

Desafio para a lixeira digital: por que o iTunes está sendo desligado

Dois professores dos EUA comentam o fim do serviço da Apple e seu desmembramento em três aplicativos (de músicas, televisão e podcasts)

Se o vídeo matou a estrela do rádio, como a música antiga diz, o iTunes matou a indústria fonográfica. Agora, 18 anos após lançar a loja de download de música, a Apple anunciou que o iTunes está sendo desativado. O anúncio foi feito há alguns dias, durante a Worldwide Developers Conference, em San Jose, na Califórnia.

A gigante de tecnologia informou que o iTunes deixará de existir como uma jukebox digital. A partir do macOS 10.15 Catalina, as principais funções do iTunes serão separadas em três aplicativos, para música, televisão e podcasts. Segundo a Apple, o serviço será completamente desligado no outono americano (primavera brasileira). Contudo, ele sobreviverá no Windows — por enquanto.

Mesmo em seu leito de morte, o iTunes continua inspirando reações de amor e ódio. “O iTunes é um câncer para a indústria da música. Isso ficou óbvio 15 anos atrás… Ainda bem que tudo acabará”, escreveu Peter Fader, professor de marketing da Wharton School, no Twitter.

Ao explicar seu tuíte no programa de rádio da Knowledge @ Wharton, Fader não mediu as palavras. “Eu realmente acredito que o iTunes, e em particular, o iTunes Music Store, o modelo de download à la carte que a Apple iniciou, causou danos, destruiu valor para a indústria musical e para entretenimento em geral e levou os usuários para o mau caminho, incentivando o compartilhamento não autorizado de arquivos e assim por diante”.

O Napster, iniciado em 1999, era o serviço original de compartilhamento de arquivos de música e um precursor dos atuais serviços de streaming. O iTumes veio a seguir. Em pouco tempo, milhões de consumidores abandonaram as lojas de discos para baixar músicas em casa.

"Eu não sei se isso matou o valor da indústria, mas certamente matou a maneira como ouvimos música", disse David Arditi, professor de sociologia e diretor do Centro de Teoria da Universidade do Texas em Arlington, convidado pela K@A para o debate. “A grande coisa que acho que o iTunes fez foi matar o CD. O iTunes criou um mercado para a música, não para o álbum”.

Fader disse que o Napster estava tentando oferecer um serviço de assinatura mensal na época, mas a indústria da música recuou. "E então eles entregaram as chaves do carro para Steve Jobs, que le simplesmente o dirigiu para um penhasco", espinafrou. "Ele não se importava. Ele só queria vender objetos brilhantes, e eu realmente acho que isso mudou o comportamento para pior”.

O gênio que fundou a Apple não inventou o computador pessoal, o tocador de música ou o smartphone. Foi que ele reembalou esses produtos de uma forma que se tornaram irresistíveis para os fãs, que faziam filas imensas do lado de fora de suas lojas na noite anterior ao lançamento para devorá-los.

Agora, a Apple está migrando para a mais recente tendência de consumo: o streaming.

É um conceito que Peter Fader escreveu em seu novo livro, The Customer Centricity Playbook. “Vamos ganhar dinheiro não vendendo o mesmo conteúdo repetidamente de novo e de novo; vamos ganhar dinheiro criando um fluxo de receita recorrente do cliente, que é mais lucrativo” descreveu ele. “Isso dá à indústria os melhores diagnósticos sobre quais tipos de música são mais atraentes para os melhores tipos de clientes. É apenas uma maneira melhor de fazer as coisas. O sucesso do Spotify prova isso”.

Simplificando?!

Os professores não têm tanta certeza de que essa seja uma estratégia vencedora. Eles se descreveram como consumidores típicos que querem todo o seu conteúdo em um só lugar. A Apple continuará vendendo músicas para download através de sua loja iTunes (localizada no aplicativo Apple Music), mas o reempacotamento de aplicativos é um reconhecimento de que os consumidores estão transmitindo conteúdo mais do que comprando. A música estará em um aplicativo, a TV em outro e os podcasts em outro.

“A Apple estava recebendo relatórios dizendo que as pessoas achavam o iTunes desajeitado, então eles queriam encontrar uma maneira de simplificar, mas de um modo que parece contra-intuitivo”, disse Arditi. "Agora, em vez de ter um aplicativo para todas essas coisas diferentes, você terá três, quatro e cinco aplicativos para acessar diferentes tipos de mídia".

A Apple pegou um software “inchado” que não envelhecia bem e “transformou-o em uma espécie de modelo de negócios inchado”, disse Fader. "Não é só para o consumidor ter que caçar e bicar todos esses aplicativos diferentes e não ter todo o seu conteúdo em um só lugar."

Leia o artigo completo da Knowledge @ Wharton aqui (em inglês).

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