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28/01/2016 11:39 por Redação

Desemprego de 6,9% em dezembro é inferior às estimativas

Taxa de desocupação média pode ficar em 10,2% em 2016, diante da continuidade da retração da atividade econômica doméstica

Depec-Bradesco*

A taxa média de desemprego nas regiões metropolitanas de Recife, Salvador, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo e Porto Alegre atingiu 6,8% em 2015, segundo a Pesquisa Mensal de Emprego (PME), divulgada hoje pelo IBGE. O resultado foi superior aos 4,8% observados em 2014. Em dezembro, especificamente, a taxa de desocupação ficou em 6,9%, resultado inferior à nossa projeção e à mediana das expectativas do mercado, de 7,6% e 7,4% respectivamente. Descontada a sazonalidade, a taxa de desocupação apresentou ligeira queda, ao passar de 8,0% para 7,8% no período, mantendo-se abaixo da taxa de desemprego filtrada calculada por nós, que visa expurgar movimentos atípicos na PEA (população economicamente ativa).

Leia: Desemprego ficou em 6,9% em dezembro, abaixo da taxa de novembro.

A PME novamente apresentou comportamento volátil tanto da PEA como da ocupação. A primeira registrou avanço interanual de 0,1% em dezembro, enquanto a ocupação caiu 2,7% na mesma base de comparação. Assim, a persistência do patamar reduzido da PEA manteve a taxa de participação em um nível próximo a 55%, um dos menores da série histórica. Desse modo, não apenas a alta do desemprego (desde 2013-2014) não se deve ao aumento da PEA, como tem sido, na verdade, atenuada pela sua queda. Conforme enfatizamos em publicações passadas, ao invés de trabalharmos com uma taxa de participação constante, preferimos aplicar filtros estatísticos tanto na série da PEA quanto na da ocupação, entendendo que a sua volatilidade tende a ser contemporânea.

Já o rendimento nominal interrompeu a trajetória de desaceleração e cresceu 5,0% em dezembro, na comparação interanual, ante alta de 1,3% em novembro. Com isso, o rendimento médio real alcançou R$ 2.236, o equivalente a uma variação interanual negativa de 5,8%. Em 2015, o rendimento médio foi de R$ 2.265, o que equivale a queda real de 3,7%. Apesar da aceleração no último mês do ano passado, esperamos que essa tendência se reverta em 2016, contribuindo para aliviar a inflação ao longo do ano, exercendo menor pressão principalmente sobre os preços de serviços.

O resultado de dezembro reforça nossa expectativa de que o mercado de trabalho continuará se enfraquecendo ao longo deste ano. Projetamos que a desocupação atinja em média 10,2% em 2016, diante da continuidade da retração da atividade econômica doméstica.

* Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos do Bradesco.

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