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27/01/2016 08:25 por Redação

Déficit em conta corrente em 2015 sinaliza que saldo ficará próximo de zero este ano

Forte queda do saldo negativo em contas correntes no ano passado reforça projeção de déficit externo de apenas 0,5% do PIB em 2016

Depec-Bradesco*

Os resultados fechados do Balanço de Pagamentos de 2015 ressaltam o forte ajuste das contas externas observado no ano passado, decorrente principalmente da queda das importações – tendo em vista a retração da atividade doméstica e a depreciação do Real. Acreditamos que essa tendência seguirá presente em 2016, levando o saldo em conta corrente como proporção do PIB à próximo de zero ao final deste ano.

Para tanto, as análises a seguir são baseadas nos dados do Balanço de Pagamentos segundo a metodologia clássica (BPM5), por entendermos ser essa abordagem mais relevante para o conceito de fluxo cambial. Acreditamos que a atual metodologia (BPM6) causa certas distorções em algumas contas, como por exemplo na rubrica Investimento Estrangeiro Direto (agora chamada Investimento Direto no País), ao acrescentar as operações intercompanhia e os lucros reinvestidos.

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O saldo em transações correntes ficou negativo em US$ 1,1 bilhão em dezembro, de acordo com os dados divulgados hoje pelo Banco Central. Com esse resultado, a conta de transações correntes acumulou déficit de US$ 48,1 bilhões em 2015, o equivalente a 2,7% do PIB. A forte queda do déficit em relação ao ano anterior, quando o saldo foi negativo em US$ 91,3 bilhões, ilustrou o intenso ajuste em curso das contas externas.

A balança comercial contribuiu positivamente para o resultado observado no mês passado, com superávit de US$ 6,2 bilhões. Em 2015, o saldo foi positivo em US$ 19,7 bilhões, em linha com os dados apresentados recentemente pelo MDIC. Já as contas de serviços e renda primária mantiveram sua trajetória deficitária, com saldos negativos de, respectivamente, US$ 2,5 bilhões e US$ 5,3 bilhões, também de acordo com a metodologia clássica.

O Investimento Estrangeiro Direto (IED) registrou entrada líquida de US$ 11,6 bilhões em dezembro, segundo a metodologia clássica, bastante superior ao verificado em novembro (quando somou US$ 4,4 bilhões). Assim, acumulou, no ano passado, entrada líquida de US$ 64,4 bilhões, o equivalente a 3,5% do PIB.

Os investimentos em carteira reverteram o superávit de novembro, ao apresentar saldo negativo de US$ -2,6 bilhões no mês passado, principalmente, por conta da saída líquida de US$ 1,2 bilhão em títulos de renda fixa e de US$ 1,4 bilhão considerando os investimentos em ações.

A taxa de rolagem da dívida externa, por sua vez, chegou a 77,7% no último mês de 2015, ligeiramente superior aos 72% observados em novembro, sugerindo uma piora marginal no financiamento externo das empresas.

Assim, diante do intenso ajuste em curso nas contas externas, mantemos nossa perspectiva de continuidade da redução do déficit em conta corrente neste ano. Considerando o conceito clássico (BPM5), projetamos para 2016 déficit externo de US$ 8,1 bilhões (equivalente a 0,5% do PIB) e entrada líquida de Investimento Estrangeiro Direto de US$ 50 bilhões.

* Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos do Bradesco.

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