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26/11/2015 11:51 por Redação

Apesar do aumento do déficit em conta corrente, ajuste externo persiste

Déficit externo pode fechar o ano em US$ 49,7 bilhões, com IED na casa de US$ 56 bilhões

Depec-Bradesco*

O saldo em conta corrente ficou negativo em US$ 4,2 bilhões em outubro, conforme divulgado hoje pelo Banco Central. O déficit foi inferior à nossa projeção de um saldo negativo de US$ 4,7 bilhões e ficou em linha com a mediana das expectativas do mercado, de US$ 4,1 bilhões, de acordo com coleta da Bloomberg. Com isso, o déficit nos últimos doze meses somou US$ 74,2 bilhões, o equivalente a 4,02% do PIB. A diferença com a nossa projeção resultou do saldo mais favorável da balança de serviços e da balança comercial.

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A despeito da alta do déficit em relação ao mês anterior, quando o saldo foi de -US$ 3,1 bilhões, o ajuste das contas externas continua bastante intenso neste ano, como reflexo do enfraquecimento da atividade econômica doméstica e da depreciação cambial (o déficit em outubro de 2014 foi de US$ 9,3 bilhões).

A balança comercial contribuiu novamente para a redução do déficit externo no mês passado, apresentando superávit de US$ 1,879 bilhões no período. Em contrapartida, as contas de serviços e renda primária voltaram a exercer influência negativa no saldo de transações correntes, apresentando déficits de US$ 2,8 bilhões e US$ 3,5 bilhões, respectivamente (resultado muito próximo do observado no mês anterior).

O Investimento Direto no País (IDP) registrou entrada líquida de US$ 6,7 bilhões em outubro, acelerando em relação aos US$ 5,2 bilhões e US$ 6,0 bilhões exibidos em agosto e setembro, nessa ordem. O resultado foi bastante superior ao que esperávamos (US$ 5,9 bilhões). Com isso, em doze meses, essa conta acumulou superávit de US$ 70,7 bilhões, o equivalente a 3,84% do PIB.

Os investimentos em carteira mostraram mais uma forte saída líquida em outubro, de US$ 3,1 bilhões (ante saída de US$ 3,3 bilhões observada em setembro), explicada essencialmente pelo déficit de US$ 3,3 bilhões em títulos de renda fixa.

A taxa de rolagem da dívida externa interrompeu a trajetória de alta dos últimos meses, ao registrar forte recuo, passando de 205% para 85% entre setembro e outubro, sugerindo alguma piora para o financiamento externo das empresas.

Dessa forma, diante da confirmação de que há um intenso ajuste em curso nas contas externas, mantemos nossa perspectiva de redução do déficit em conta corrente em 2015. Considerando o conceito “clássico” (BPM5), projetamos déficit externo de US$ 49,7 bilhões e revisamos nossa projeção de IED (Investimento Estrangeiro Direto) de US$ 50 bilhões para US$ 56 bilhões. Já no conceito BPM6, mantemos o cenário de déficit em conta corrente de US$ 57,4 bilhões (o equivalente a 3,1% do PIB, sucedendo saldo negativo de US$ 104 bilhões em 2014 (4,4% do PIB). Adicionalmente, o IDP deve somar US$ 65 bilhões, desacelerando em relação aos US$ 96,9 bilhões registrados no ano passado.

* Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos do Bradesco.

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