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25/02/2016 12:40 por Redação

Mercado de trabalho deve continuar perdendo força este ano

Alta do desemprego, que vem persistindo desde 2013-2014, não se deve ao aumento da população economicamente ativa

Depec-Bradesco*

A taxa média de desemprego nas regiões metropolitanas de Recife, Salvador, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo e Porto Alegre alcançou 7,6% em janeiro, de acordo com os dados divulgados hoje na Pesquisa Mensal de Emprego (PME) do IBGE. Feitos os ajustes sazonais, a taxa de desocupação apresentou ligeiro recuo na margem, ao passar de 7,8% para 7,7% entre dezembro e janeiro.

Leia: Desemprego ficou em 7,6% em janeiro, acima da taxa de dezembro.

Notamos, contudo, que nossa taxa de desemprego filtrada apresentou alta, de 8,1% para 8,3%, o que consideramos ilustrar mais fielmente a dinâmica do desemprego neste primeiro trimestre (a taxa de desemprego filtrada é calculada a partir do tratamento dos movimentos atípicos da PEA, população economicamente ativa).

Mais uma vez, a PME mostrou comportamento volátil da PEA no período, ao registrar queda interanual de 0,3%, após ter caído 0,1% no mês anterior, na mesma métrica. Já a ocupação manteve o ritmo de retração observado em dezembro, ao cair novamente 2,7% em relação ao mesmo período do ano passado. Assim, a persistência do patamar reduzido da PEA fez com que a taxa de participação continuasse em um nível próximo a 55%, um dos menores da série histórica.

Desse modo, não apenas a alta do desemprego (desde 2013-2014) não se deve ao aumento da PEA, como tem sido, na verdade, atenuada pela sua queda. Conforme enfatizamos em publicações passadas, ao invés de trabalharmos com uma taxa de participação constante, preferimos aplicar filtros estatísticos tanto na série da PEA quanto na da ocupação, entendendo que a sua volatilidade tende a ser contemporânea.

O rendimento médio nominal voltou a desacelerar em janeiro, ao exibir alta interanual de 3,1%, abaixo dos 5,0% observados anteriormente. Com isso, o rendimento médio real atingiu R$ 2.242,90, o equivalente a uma variação interanual negativa de 7,4%. Esperamos que a redução dos ganhos nominais contribua, em alguma medida, para aliviar a inflação ao longo deste ano, ao exercer menor pressão sobre os preços dos serviços.

Apesar da modesta queda na margem da taxa de desemprego dessazonalizada, mantemos nossa expectativa de continuidade do enfraquecimento do mercado de trabalho em 2016. O movimento pontual foi influenciado pela volatilidade da PEA, visto que a população ocupada seguiu registrando queda em janeiro. Vale lembrar que a PME será encerrada neste ano, tendo sua última divulgação no próximo mês, quando será substituída pela Pnad Contínua, pesquisa que já vem apontando elevação da população economicamente ativa nos últimos meses.

* Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos do Bradesco.

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