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23/02/2016 12:16 por Redação

Saldo em transações correntes mostra continuidade do ajuste nas contas externas

Déficit de US$ 2,1 bilhões sem janeiro ficou bem abaixo dos US$ 10,5 bi anotados no mesmo período de 2015

Depec-Bradesco*

As análises a seguir são baseadas nos dados do Balanço de Pagamentos segundo a metodologia clássica (BPM5), por entendermos ser essa abordagem mais relevante para o conceito de fluxo cambial, como já havíamos reforçado em publicações anteriores. Acreditamos que a atual metodologia (BPM6) causa certas distorções em algumas contas, que pode ser visto na rubrica Investimento Estrangeiro Direto (agora chamada Investimento Direto no País), ao acrescentar as operações intercompanhia e os lucros reinvestidos.

O saldo em transações correntes foi deficitário em US$ 2,1 bilhões em janeiro, de acordo com os dados divulgados hoje pelo Banco Central. O resultado ficou bem acima do observado no mesmo período do ano passado, quando foi negativo em US$ 10,5 bilhões, reforçando, mais uma vez, o ajuste do setor externo em curso desde o ano passado. Nos últimos doze meses, a conta corrente acumulou saldo negativo de US$ 39,8 bilhões, o equivalente a 2,3% do PIB.

Leia: Déficit nas contas externas é o menor para janeiro desde 2010.

Assim como nos meses anteriores, a balança comercial contribuiu positivamente para o resultado do período, ainda que em menor magnitude, com superávit de US$ 643 milhões. Em contrapartida, as contas de serviços e de rendas mantiveram sua trajetória negativa, ao registrarem déficits de US$ 1,4 bilhões e US$ 1,9 bilhões, respectivamente.

O Investimento Estrangeiro Direto (IED) registrou entrada líquida de US$ 3,55 bilhões, segundo a metodologia clássica, sucedendo o forte saldo positivo verificado em dezembro (quando somou US$ 11,6 bilhões). Com isso, acumulou, em doze meses, entrada de US$ 64,0 bilhões, que correspondem a 3,5% do PIB.

Já os investimentos em carteira apresentaram saldo negativo de US$ 3,3 bilhões, refletindo, em grande medida, a saída de recursos investidos em títulos de renda fixa, que praticamente se igualou ao resultado total dessa rubrica.

A taxa de rolagem, por sua vez, apresentou redução intensa no período, ao oscilar de 77,7% para 17,2% entre dezembro e janeiro, sugerindo piora no financiamento externo das empresas.

Dada a continuidade do intenso ajuste em curso nas contas externas, mantemos nossa perspectiva de continuidade da redução do déficit em conta corrente neste ano. Considerando o conceito clássico (BPM5), projetamos para 2016 déficit externo de US$ 8,1 bilhões (equivalente a 0,5% do PIB) e entrada líquida de Investimento Estrangeiro Direto de US$ 50 bilhões.

* Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos do Bradesco.

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