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ARTIGOS

19/11/2015 10:53 por Redação

Queda da taxa de participação continua atenuando alta do desemprego

Expectativa é de que o mercado de trabalho continuará se enfraquecendo ao longo deste ano e do próximo

Depec-Bradesco*

A taxa de desemprego nas regiões metropolitanas de Recife, Salvador, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo e Porto Alegre atingiu 7,9% em outubro, segundo a Pesquisa Mensal de Emprego (PME), divulgada hoje pelo IBGE. O resultado ficou em linha com a nossa projeção (7,8%) e acima da mediana das expectativas do mercado (7,6%), de acordo com coleta da Bloomberg. Em termos dessazonalizados, a taxa de desocupação passou de 7,6% para 8,0% no período, mantendo-se em linha com nossa taxa de desemprego filtrada, que visa expurgar movimentos atípicos na PEA (população economicamente ativa).

Leia: Desemprego ficou em 7,9% em outubro, acima da taxa de setembro.

A PME mostrou um comportamento volátil tanto na população ocupada quanto na PEA (quedas de 1,0% e 1,5% na margem, respectivamente). Esperamos que parte desse movimento seja revertido em novembro. De todo modo, a queda da PEA levou a um forte declínio da taxa de participação, de um patamar próximo a 56% para 55%, mesmo nível de 2002, início da série histórica da PME. Assim, não apenas a alta do desemprego (desde 2013-2014) não se deve ao aumento da PEA, como tem sido, na verdade, atenuada pela sua queda. Conforme enfatizamos em publicações passadas, ao invés de trabalharmos com uma taxa de participação constante, preferimos aplicar filtros estatísticos tanto na série da PEA quanto na da ocupação, entendendo que a volatilidade das séries tende a ser contemporânea.

O rendimento nominal, por sua vez, mostrou desaceleração em relação aos valores observados nas leituras anteriores, crescendo 2,8% em relação ao mesmo período do ano passado (razoavelmente abaixo das altas de 6,3% e 5,5% verificadas em agosto e setembro, respectivamente). O resultado pode contribuir para algum alívio para a inflação à frente, exercendo menor pressão sobre os preços de serviços. Já o rendimento médio real foi de R$ 2.182,10, o equivalente a uma variação interanual negativa de 7,0%.

Com isso, mantemos nossa expectativa de que o mercado de trabalho continuará se enfraquecendo ao longo deste ano e do próximo. Projetamos que a desocupação atinja 8,4% em dezembro. Para os dados do Caged de outubro, ainda sem data definida de divulgação, prevemos demissão líquida de 150 mil postos de trabalho, que excetuados os efeitos sazonais, equivale a um fechamento de 170 mil vagas.

* Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos do Bradesco.

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