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DOCES E SALGADOS

18/06/2019 09:51 por Redação

Em carta aberta, ONGs pedem que UE suspenda negociações sobre o Mercosul

No documento, mais de 340 entidades apontam a deterioração dos direitos humanos e do meio ambiente no Brasil sob o governo Bolsonaro

Em uma carta aberta publicada hoje (18) na Europa, mais de 340 organizações da sociedade civil estão exigindo que a União Europeia suspenda imediatamente as negociações de acordos de livre comércio com o Mercosul (Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai) em razão da situação dos direitos humanos e do meio ambiente no Brasil sob o governo de Jair Bolsonaro.

O documento é endereçado aos líderes da EU às vésperas da reunião ministerial na próxima semana em Bruxelas, quando os ministros das Relações Exteriores da UE e do Mercosul pretendem concluir as negociações.

“Atores da sociedade civil, ativistas, camponeses, trabalhadores e minorias enfrentam perigos extremos da retórica incendiária do governo Bolsonaro e seus apoiadores. Isso inclui a rotulagem de membros de movimentos de base como o Movimento de Trabalhadores Sem-Terra e o Movimento de Trabalhadores Sem-Teto como ‘terroristas’, gerando preocupações de que a controversa lei antiterrorista do Brasil será usada para criminalizar os ativistas sociais”, diz um trecho da carta.

“A UE é o segundo maior parceiro comercial do Brasil, segundo maior importador da soja brasileira e grande importadora de carne bovina brasileira e outros produtos agrícolas. A UE tem, portanto, a responsabilidade de abordar os direitos humanos e as injustiças ambientais que ocorrem no Brasil sob o governo Bolsonaro. Deve usar sua influência para apoiar a sociedade civil, os direitos humanos e o meio ambiente”, segue o documento.

Leia a carta na íntegra aqui (em inglês), com a lista de signatários.

Os eurodeputados do LREM (La Republique En Marche), partido do presidente francês, Emmanuel Macron, ressaltaram nesta segunda-feira (17) que os acordos não devem permitir a importação de produtos agrícolas que não cumpram as regras europeias, assinala a Rádio França Internacional. "Ou cujas condições de produção ambiental, sanitária ou social nos países de origem estão em contradição com os princípios de sustentabilidade promovidos pela Europa em nível internacional", declarou Jérémy Decerle, do LREM.

Questionada sobre o tema, a comissária europeia para o Comércio, Cecilia Malmström, reconheceu ontem que "existem algumas medidas tomadas no Brasil que não compartilhamos", mas que "um acordo comercial não pode resolver todas as misérias do mundo". "Podemos obter uma estrutura para discutir essas questões", acrescentou Malmström, dizendo que a UE está tentando alcançar "um capítulo sobre comércio e desenvolvimento sustentável que seja o mais ambicioso possível, mas ainda não concluído".

Embora Bolsonaro e o presidente argentino, Mauricio Macri, tenham afirmado no início de junho que um acordo era "iminente", a Comissão Europeia, encarregada das negociações na UE, disse que "as discussões técnicas continuam".

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