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12/11/2015 12:03 por Redação

Atividade varejista cai menos do que o esperado em setembro

Recuo de 0,5% reforça expectativa de continuidade da queda do consumo das famílias no PIB no terceiro trimestre

Depec-Bradesco*

O volume de vendas do comércio varejista restrito (que exclui os segmentos de veículos e motos, partes e peças e de material de construção) caiu novamente em setembro, registrando recuo de 0,5% na margem, descontada a sazonalidade, conforme divulgado hoje na Pesquisa Mensal do Comércio (PMC) do IBGE. O resultado ficou acima da nossa projeção e da mediana do mercado, que apontavam retrações de 1,1% e 0,9%, respectivamente, segundo coleta da Bloomberg.

Assim, o dado, que marcou a oitava contração consecutiva, reforça a expectativa de continuidade da queda do consumo das famílias no PIB – projetamos retração de 0,8% no terceiro trimestre. Na comparação interanual, a atividade varejista caiu 6,2%. Mais uma vez, as vendas nominais permaneceram praticamente estáveis desde novembro de 2014, a despeito da alta da inflação nesse período.

Leia: No oitavo revés consecutivo, vendas no varejo brasileiro caíram 0,5% em setembro.

Seis dos oito setores contemplados na pesquisa influenciaram negativamente o resultado, com destaque para o segmento de outros artigos de uso pessoal e doméstico, que declinou 3,8%. Já os ramos de hiper, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo e móveis e eletrodoméstico ficaram relativamente estáveis na margem.

No mesmo sentido, o volume de vendas do comércio varejista ampliado, que inclui todos os setores, caiu 1,5% na passagem de agosto para setembro e 11,5% na comparação com o mesmo mês de 2014. A maior queda em relação ao comércio restrito refletiu o forte recuo de 4,0% do segmento de veículos e motos, partes e peças, confirmando os recuos apresentados pelos dados de emplacamentos da Fenabrave e vendas da Anfavea e ampliando a retração de 5,8% no mês anterior. O ramo de material de construção também ampliou as perdas anteriores, registrando variação negativa de 1,5% na margem.

Assim como nas leituras anteriores, a receita nominal das vendas manteve o baixo ritmo de crescimento, com avanço interanual de 1,9% em setembro (o cálculo é realizado com os dados dessazonalizados das vendas nominais, visto que a série original é excessivamente volátil). Como dito anteriormente, a receita nominal encontra-se essencialmente estável desde o final do ano passado, refletindo a piora do mercado de trabalho, conforme apontado pelo Caged e pela PME, com a redução dos postos de trabalho e desaceleração dos ganhos nominais.

Com base no resultado da PMC reportado hoje, juntamente com a queda de 1,3% da produção industrial no final do trimestre passado, projetamos retração de 0,4% na margem do IBC-Br (proxy mensal do PIB) em setembro (que deverá acumular retração de 1,1% no terceiro trimestre), dado que será divulgado pelo Banco Central na próxima semana.

* Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos do Bradesco.

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