Home > ARTIGOS > Alta do IPCA deve-se à escalada de preços da alimentação fora de casa

ARTIGOS

09/12/2015 12:46 por Redação

Alta do IPCA deve-se à escalada de preços da alimentação fora de casa

Inflação seguirá pressionada por alimentos, cujo avanço é impulsionado pelos produtos in natura e pelo repasse cambial

Depec-Bradesco*

O IPCA registrou inflação de 1,01% em novembro, conforme divulgado hoje pelo IBGE. O resultado ficou acima da mediana das expectativas do mercado e da nossa projeção, que apontavam altas de 0,95% e 0,97%, respectivamente, de acordo com coleta da Agência Estado. O resultado representou nova aceleração em relação à leitura anterior, sucedendo alta de 0,82% em outubro. Com isso, o IPCA acumulou avanço de 9,62% no ano e de 10,48% nos últimos doze meses (valor bastante superior ao teto da meta estabelecida pelo Banco Central, de 6,50%).

Leia: Na terceira alta mensal consecutiva, IPCA acelera para 1,01% em novembro.

Seis dos nove grupos que compõem o indicador apresentaram aceleração no mês passado, com destaque para alimentação e bebidas, que passou de uma alta de 0,77% em outubro para 1,83% em novembro, e para o segmento de comunicação, cujo avanço oscilou de 0,39% para 1,03%. No sentido oposto, os preços de transportes, que haviam registrado a maior aceleração dentre os grupos do IPCA em outubro, desaceleraram, ao passar de 1,72% para 1,08%, refletindo alguma dissipação dos reajustes nos combustíveis. Em relação ao nosso número, a surpresa altista se concentrou em alimentação e bebidas, com maior alta em açúcar, carnes e, principalmente, em alimentação fora do domicílio. Em menor medida, o resultado maior que o esperado do grupo de comunicação foi impulsionado por telefonia celular.

Em linha com o índice cheio, os indicadores de inflação subjacente registraram nova aceleração no período, com a média dos núcleos passando de 0,61% para 0,63%. Com isso, acumulou expansão de 8,24% em doze meses, superior aos 7,75% e 7,92% verificados em setembro e outubro, nessa ordem. O índice de difusão também apresentou maior variação, ao oscilar de 67,02% para 78,02%. Em contrapartida, os preços de serviços desaceleraram no período, subindo 0,46%, 0,16 p.p. abaixo do dado de outubro.

Para as próximas leituras, acreditamos que o IPCA seguirá pressionado, principalmente pelos preços de alimentação, cuja alta é impulsionada pelos produtos in natura e repasse cambial. Adicionalmente, o setor de serviços, que já deveria mostrar sinais de desaceleração, continuará exercendo pressão altista nos próximos meses.

* Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos do Bradesco.

'
Enviando