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03/03/2016 12:23 por Redação

Análise: PIB do quarto trimestre de 2015 ficou acima do esperado

Retração de 1,4% não confirmou estimativa de queda de 1,6%; para o acumulado de 2016 a aposta é de recuo de 3,5%

Depec-Bradesco*

O Produto Interno Bruto (PIB) recuou 1,4% entre o terceiro e o quarto trimestres do ano passado, descontados os efeitos sazonais, conforme divulgado hoje pelo IBGE. O resultado foi ligeiramente acima do esperado por nós e pelo mercado (as duas projeções apontavam queda de 1,6%), de acordo com coleta da Bloomberg. Na comparação interanual, o PIB caiu 5,9% no trimestre findo em dezembro, acumulando contração de 3,8% em 2015. Em termos nominais, o produto totalizou R$ 5,9 trilhões no período.

Leia: Economia brasileira recua 3,8% em 2015, e PIB soma R$ 5,9 trilhões.

Ótica da oferta: tanto a indústria quanto o setor de serviços apresentaram queda de mesma intensidade que o PIB total na margem, ambas de -1,4%. Dentre as categorias que compõem o PIB industrial, destacou-se a atividade extrativa, cujo forte recuo de 6,6% refletiu os acidentes em Mariana-MG, já capturados anteriormente pela Pesquisa Industrial Mensal (PIM), também do IBGE. Já dentro dos serviços, as aberturas que registraram as variações mais intensas na margem foram o do comércio e da administração, saúde e educação públicas, com retrações de 2,6% e 2,0%, nessa ordem. No acumulado do ano, o PIB industrial caiu 6,2%, enquanto o setor de serviços acumulou declínio de 2,7%. Já a agropecuária contribuiu positivamente para o resultado trimestral, avançando 2,9% ante o terceiro trimestre; no ano, registrou alta de 1,8%.

Ótica da demanda: apenas o setor externo apresentou desempenho favorável (no último trimestre do ano passado e em 2015 como um todo), em linha com o intenso ajuste recessivo do País – a queda de 0,4% na margem das exportações de bens e serviços foi mais que compensada pela forte retração de 5,9% das importações. Por sua vez, o consumo das famílias manteve a trajetória negativa dos trimestres anteriores, caindo 1,3% no período, como sugerido pelos dados da Pesquisa Mensal do Comércio (PMC) e pela queda dos indicadores de confiança dos consumidores. O consumo do governo também mostrou recuo de 2,9% na margem. Assim, em 2015, o consumo das famílias e do governo e as importações caíram 4,0%, 1,0% e 14,3%, respectivamente. Já as exportações cresceram 6,1% no ano passado.

Destacamos adicionalmente a queda de quase 5% da formação bruta de capital fixo (FBCF) entre os dois últimos trimestres de 2015, e de 18,5% na comparação interanual. O movimento refletiu a fraca atividade interna e a redução das importações de bens de capital. O baixo patamar da confiança do empresariado industrial, juntamente com a retomada da queda na margem em fevereiro, sugere continuidade de declínio dos investimentos no primeiro trimestre de 2016.

Dessa forma, diante do resultado de hoje e levando em consideração os indicadores antecedentes e coincidentes referentes ao início deste ano já divulgados, esperamos contração de 1,0% do PIB no primeiro trimestre. Para o final do ano, prevemos queda de 3,5%.

* Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos do Bradesco.

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