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02/02/2016 10:30 por Redação

Queda da produção industrial sinaliza contração de 1,5% do PIB no 4º trimestre de 2015

Apesar da leve alta da confiança do empresariado industrial nas sondagens da FGV, baixo patamar ainda sugere queda da atividade do setor

Depec-Bradesco*

A produção industrial recuou 0,7% entre novembro e dezembro, descontada a sazonalidade, de acordo com a Pesquisa Industrial Mensal (PIM) divulgada hoje pelo IBGE. A queda ficou em linha com a nossa projeção (-0,5%) e abaixo das expectativas do mercado, de estabilidade, segundo coleta da Bloomberg. Com isso, acumulou queda de 8,3% em 2015, o pior resultado anual da série histórica iniciada em 2002. Na comparação com dezembro de 2014, houve retração de 11,9%.

Leia: Produção industrial brasileira recuou 8,3% em 2015, segundo IBGE.

O recuo da atividade industrial na margem foi impulsionado pela retração de 13 dos 24 setores pesquisados, com destaque para bebidas e máquinas e equipamentos, que registraram variações negativas de 8,4% e 8,3%, respectivamente. Já o segmento de veículos automotores, reboques e carrocerias ampliou a alta observada em novembro, com crescimento de 4,7%. No mesmo sentido, equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos apresentaram elevação de 12,2% em relação a novembro.

Entre as categorias de uso, a de bens de capital intensificou a contração verificada nos últimos meses, com forte recuo de 8,2% na margem. No ano, acumulou retração de 25,5%. Já a produção de bens de consumo duráveis avançou 9,4% entre novembro e o último mês de 2015, expansão insuficiente, porém, para reverter a queda acumulada de 18,7% no ano passado. No mesmo sentido, os bens semiduráveis e não duráveis tiveram alta de 0,3% na margem, mas declinaram 6,7% em 2015. Em consonância com os demais segmentos, os bens intermediários também registraram elevação em dezembro (0,7%), entretanto, acumularam variação negativa de 5,2% no ano passado.

Mantemos, assim, nossa expectativa de continuidade do fraco desempenho da indústria nos próximos meses. Apesar da leve alta na margem da confiança do empresariado industrial nas últimas leituras da Sondagem da Indústria da FGV, seu baixo patamar ainda sugere queda da atividade do setor à frente. Além disso, os estoques mantiveram-se em níveis elevados, a despeito da redução observada nos últimos dois meses. Por fim, o setor de construção civil mantém o ajuste em sua cadeia produtiva (os insumos típicos da construção civil acumularam recuo de 12,9% em 2015), assim como o segmento de veículos automotores. O resultado de hoje também reforça nossa expectativa de contração do PIB no quarto trimestre, da ordem de 1,5% na margem.

* Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos do Bradesco.

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