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O índice antecedente do Produto Interno Bruto (PIB) calculado pelo Banco Central como prévia da taxa trimestral do IBGE foi a cereja no bolo de uma semana em que o governo conseguiu ofuscar boa parte do noticiário ruim - da greve do funcionalismo ao baixo astral do empresariado, do julgamento do mensalão à renitente crise externa. Conhecida por IBC-Br, a prévia do PIB indicou crescimento de 0,75% em junho em relação a maio e variação interanual de 1%. Na média de abril a junho, conforme tal indicador, o PIB teria crescido 0,4% sobre o primeiro trimestre, ou 1,5% em termos anualizados. Não é lá grande coisa, mas configura uma linha divisória entre a economia em queda e a retomada em curso, provavelmente já a partir de julho. Vai-se saber em detalhes a situação da economia no 2º trimestre no dia 31, quando o IBGE divulgará o relatório de desempenho do PIB. Nas projeções do economista Fernando Montero, além de encerrar uma semana de bons indicadores (expressos pelo forte aumento das vendas do varejo em junho e do emprego em julho), a reação do indicador do BC, “mesmo sem tempo de contribuir decisivamente para a média do 2º trimestre, contrata um arrasto de 0,49% entre julho e setembro”. Ou seja: a retomada da expansão da economia já está dada, mesmo que, por absurdo, o IBC-Br ficasse estagnado no 3º trimestre. O cenário da consultoria LCA é coincidente. “Com a maior parte dos segmentos industriais com estoques ajustados e uma demanda interna (tanto de consumo como de investimento) em aceleração, avaliamos que o PIB deverá registrar avanço dessazonalizado próximo de 1% já neste 3º trimestre”, vaticina a LCA. No 2º trimestre, o PIB deve ter crescido perto de 0,5%. Bradesco e Montero esperam algo igual. Daqui para frente, conforme tal cenário, a tendência será de volta ao padrão de crescimento potencial, próximo de 1% por trimestre, mas levará um bom tempo até atingir esse ritmo de crescimento. Este ano o PIB deve crescer em torno de 2%, possivelmente menos, contra 2,7% em 2011. Mas com viés de alta para os doze meses à frente já a partir deste trimestre, chegando a 4% ou pouco mais ao fim de 2013. Recuperação é desigual Dos três fatores de impulso da atividade econômica, sinônimo de PIB, pelo lado da oferta, a agricultura e pecuária invertem o viés e passam a puxar o crescimento, assim como a atividade de serviços, que só fraquejaria se houvesse risco de evolução fraca do emprego. A indústria, responsável direta pelo mau desempenho do PIB desde o fim de 2010, tende a melhorar. Mas, no embate entre o saldo líquido da produção nacional e os importados, incluindo a desnacionalização de parte do processo produtivo, continuará segurando o crescimento. Na formação do produto, toda parcela da demanda atendida por fontes externas equivale ao corte em igual proporção do aumento do PIB. Mais: o mercado externo responde por 16% de tudo o que a indústria produz e exporta. E ele vai prosseguir freando o PIB, já que a Zona do Euro não voltará à tona tão cedo, a recuperação dos EUA ainda é errática, o Japão não reage e a China é uma incógnita. Antes tarde que nunca Pelo lado da demanda, a outra forma de se ver a evolução do PIB, a expectativa se volta para a eficácia das ações tomadas pelo governo para articular o investimento privado a tocar o que ele próprio faz mal ou não faz, implicando carências históricas da infraestrutura pública, sobretudo de logística. Só que a retomada virá aos poucos. O pacote de concessões ao capital privado de rodovias e ferrovias, além de portos e aeroportos a ser anunciado - complementado com o aumento do limite de endividamento dos estados (adicionado de R$ 42,2 bilhões) -, só vai produzir efeito a partir de meados de 2013. E isso se não faltar competência para a implantação das novidades. Receita para não marear O relevante é que o governo Dilma Rousseff assumiu o investimento como prioridade, deixando de forçar o consumo das famílias - causa imediata do aumento da inadimplência. A expansão do crédito dobrou em cinco anos e deve passar a crescer com maior moderação. O PIB embalado pelo investimento também deve compensar o reajuste real menor do salário mínimo em 2013, uns 2,7%, contra 7,5% em 2012. Se este roteiro for cumprido sem grandes desvios, o país poderá enfrentar as turbulências externas sem marear. Mas a situação da indústria continuará a inspirar cuidados, tanto quanto as contas fiscais do governo. Não quanto à solvência, que não preocupa, mas para viabilizar a queda do custo fiscal sobre a economia e manter em nível seguro o crônico déficit externo. E isso com os juros em baixa, a inflação perto da meta e o câmbio depreciado. Não é mole. Lei à risca é safadeza Foi só o ramo do funcionalismo federal com poder de polícia passar a fazer a tal operação-padrão, que consiste em seguir à risca o que exige a legislação, para a presidente de vontade férrea amolecer e admitir dar aumentos aos setores da administração pública em greve. O curioso não foi o recuo, pois previsível, mas os riscos a que se expõe o país quando as autoridades fazem o que manda a lei. E o que dizer de o Superior Tribunal de Justiça declarar ilegal a operação-padrão da Polícia Federal e da Polícia Rodoviária Federal a pedido do governo? Como disse um ministro do STJ: “Uma tática que provoca inegáveis perturbações ao desempenho de quaisquer atividades". O jornalista Carlos Brickmann definiu melhor: “Enfim, fazer o que mandam as normas é uma tremenda safadeza”. A operação-padrão cria insegurança, desconforto, prejuízos, e explicita a aberração de um país paralisado se a lei for cumprida como se supõe que deva ser: com rigor. Não pode. Seria o caos, estaríamos “roubados”. Patético.
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