|
Depec-Bradesco *
O IPCA subiu 0,43% em julho, acima da nossa expectativa (+0,36%) e também da mediana das projeções do mercado (+0,37%, segundo levantamento da Bloomberg), conforme divulgado hoje pelo IBGE. Na variação acumulada dos últimos 12 meses, o índice reverteu a tendência de descompressão observada nas últimas cinco leituras, ao avançar 5,20%.
Após duas quedas mensais seguidas, IPCA acelera para 0,43% em julho.
O desempenho menos benigno da inflação verificado em julho resultou principalmente da alta com despesas pessoais e alimentos, ambos com variação de 0,91% na comparação com o mês anterior. A aceleração em relação a junho, no entanto, refletiu em grande medida a dissipação do impacto da redução do IPI sobre a venda de automóveis.
Os grupos relativos a despesas pessoais e alimentação e bebidas, juntos, contribuíram com 0,30 p.p. para a elevação do IPCA em julho, já que ambos acentuaram o avanço em relação ao mês anterior. O maior impacto de um mês para o outro, entretanto, partiu dos transportes, que reduziram a queda de 1,18% observada em junho, para um recuo mais modesto de 0,03% em julho.
Para tanto, contribuiu principalmente o comportamento dos preços dos automóveis, que eliminaram praticamente todo o impacto da redução do IPI. Tanto os automóveis novos quanto os usados apresentaram resultados menos favoráveis em julho, com o primeiro passando de um recuo de 5,48% para uma alta de 0,01%, em julho e o segundo reduzindo a queda de 4,12% de junho para 0,91% em julho.
A maioria das medidas de núcleo apresentou comportamento semelhante ao índice cheio, acelerando em relação a junho. O núcleo por expurgo1 passou de -0,09% para 0,44%, enquanto o IPCA DP2 foi de 0,07% para 0,41%. Entretanto, grande parte desta elevação deveu-se também à dissipação do impacto do IPI sobre o preço dos automóveis. Os serviços, por sua vez, apresentaram nova aceleração na passagem de junho para julho, avançando de 0,52% para 0,78%.
De forma geral, consideramos que as pressões para a inflação neste segundo semestre são maiores, à medida que ainda observamos certa defasagem entre os IGPs e a inflação ao consumidor, de forma especial na cadeia de alimentos, cujos preços internacionais de grãos seguem pressionados. Somado a isso, acreditamos na continuidade da recuperação dos preços dos automóveis, em linha com a retomada da atividade do setor. Para agosto, projetamos resultado novamente pressionado para o IPCA, com variações próximas às observadas em julho.
* Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos do Bradesco.
|