Casos graves de adulteração de alimentos têm sido denunciados nas últimas semanas. Para vc:
Falta fiscalização nas empresas por parte do poder público.
São crimes contra a saúde pública que precisam de punição severa.
Não são casos tão graves assim.
Não estou por dentro desse assunto.
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  ANTONIO MACHADO
 

Esplanada dos Ministérios tomada pelo funcionalismo em greve emula como farsa a crise da Europa

 

A alta expectativa da sociedade com os resultados do governo expõe contexto em que Dilma trata os pleitos salariais do funcionalismo federal

21/7/2012 - 18:14 - Antonio Machado
 

 A semana foi pródiga em evidências do Brasil do atraso, há mais de 30 anos crescendo abaixo da média de todo o mundo emergente, países que eram muito mais miseráveis que nós, como China e Coréia do Sul, onde até há registro de canibalismo na década de 1950. Hoje, são potências econômicas e tecnológicas. Na Coréia do Sul, não há mais pobre e analfabeto. A economia chinesa só é menor que a dos EUA.

 A notícia informada neste espaço de que o Brasil é o terceiro país com maior aumento da taxa de desempenho do ensino entre 2000 e 2009 - num ranking de 49 em que há avaliação sistemática dos alunos das 4ª e 8ª séries quanto aos conhecimentos de leitura e matemática -, foi a nota contrastante em meio a tanta coisa ruim acontecendo.

 Curiosamente, afora o interesse do ministro da Educação, Aloizio Mercadante, e do presidente do INEP, a autarquia responsável pelas avaliações da qualidade do ensino, Luiz Cláudio Costa, o estudo de Harvard não teve maior repercussão. Mas a greve dos professores das universidades federais, que já dura mais de dois meses, ocupa todo santo dia o espaço nobre do noticiário.

 É como se estivéssemos perdendo a fé, embora, segundo pesquisa do Pew Research Center, centro privado baseado em Washington, o Brasil seja um dos quatro únicos países em que a maioria dos pesquisados se manifestou feliz e otimista, com taxa de 65%. Na China, chega a 83%, vindo depois a Alemanha, com 73%, o Brasil e a Turquia (57%).

 A elevada expectativa da maioria da sociedade com os resultados do governo Dilma Rousseff, maior que em qualquer momento dos oito anos do mandato do ex-presidente Lula, expõe o contexto em que ela trata as reivindicações salariais não só dos professores universitários, mas, agora, de amplos segmentos do funcionalismo federal.

 As cenas da Esplanada dos Ministérios sitiada por manifestantes e vigiada pela tropa de choque da PM, vistas de relance, sugerem um flagrante dos protestos cada vez mais violentos na Espanha contra as medidas de austeridade que varrem a Europa, de Atenas a Roma, e são acompanhadas nas ruas pela revolta da população desempregada.

A comparação é chocante

 O que torna a comparação chocante é que na Europa os protestos são de desalentados, entre desempregados dos setores públicos e privado e de aposentados, cujos proventos foram reduzidos. O desemprego na Espanha passa de 22% da força de trabalho, chegando a 52% na faixa etária de 16 a 25 anos. É uma tragédia, e continua aumentando.

 O país, a quarta maior economia da Zona do Euro, está em recessão pela segunda vez desde 2008. Pela projeção oficial, o PIB (Produto Interno Bruto) terá queda de 1,7% este ano e de 0,5% em 2013.

 No Brasil, a expansão do PIB encolheu, mas sem recessão, e o que é melhor: o desemprego é o menor da história, com taxa de 5,8%, falta mão-de-obra em vários setores e a renda real cresce há mais de dois anos. Ah! E o funcionalismo público tem estabilidade no emprego.

Desníveis inexplicáveis

 Do que se queixa parte relevante dos trabalhadores de uma capital cuja renda per capita é a maior do país? Tal situação decorre da média salarial do funcionalismo público, maioria em Brasília.

 No setor público, há disparates, como um advogado sem experiência ter salário de ingresso de R$ 14.970, um analista administrativo (o auxiliar de escritório, na planície) começar com R$ 4.600, enquanto professor com dedicação exclusiva recebe de R$ 2.872 a R$ 7.247.

 Tais desníveis são inexplicáveis, como também o são as diferenças entre os salários médios do funcionalismo e os do setor privado. E ainda maiores se incluídas gratificações, plano de saúde, a tal da estabilidade (que no mundo, onde há, só se aplica às carreiras de Estado, como juízes, policiais e auditores) e aposentadoria que só aos novos contratados deixou de ser integral. Mas quem se importa?

Contingências de Dilma

 Dilma, com certeza, se importa, já que seria mais fácil ela ceder, como Lula fez aprovando aumentos e planos de carreira a rodo. Ela está preocupada com novos gastos sobre um orçamento já deficitário e exaurido, apesar dos aumentos da arrecadação tributária.

 Por tais coisas, o investimento público é a variável de ajuste fiscal. E até recebendo atenção ele não avança devido à inépcia da máquina.

 As contingências de Dilma são extremas, além de influenciadas pela crise externa. Como dormir em paz, se a inflação prega uma falseta na prévia do IPCA de julho, interrompendo nove quedas seguidas na medida de doze meses, ao subir 5,24%, contra 4,92% até junho? Isso, com deflação no mundo, recessão da indústria e PIB abaixo de 2%.

Água vazando do bueiro

 Os sinais do Brasil atrasado emergem como a água que sai do bueiro em dia de chuva. Eles sempre estiveram ai, talvez até diminuíram, como a melhora dos indicadores do ensino, mas dão impressão de que se agravaram pela disfuncionalidade de um governo pressionado por lobbies sempre querendo mais, sobretudo sindicais e os políticos.

 A falta do crescimento mais forte para acomodar tais pressões é o que explicita o que não se resolve de modo convencional.

 Na visão de Fernando Montero, nosso colaborar habitual, o pessoal desenvolvimentista culpava os juros altos e o câmbio baixo pelos problemas da economia. Os ortodoxos culpavam a poupança baixa pelo juro e câmbio desalinhados. E então os juros caíram, o cambio subiu e os problemas continuam. Só que o acerto dos juros e do câmbio não veio do aumento da taxa de poupança, mas do investimento deprimido.

 No curto prazo, diz, equivale a cortar despesa, ao custo de piorar os problemas estruturais. A solução é o pacote de investimentos. E depois, avalia, torcer para Dilma equilibrar o consumo.


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