Sobre a violência nos protestos contra tarifas de transporte público em diversas capitais, vc acha que:
A polícia não pode reprimir com violência uma manifestação legítima.
A polícia deve liberar avenidas bloqueadas, com vigor se for preciso.
É uma reação da polícia contra atos de vandalismo durante os protestos.
Atos de depredação acontecem sempre que há truculência policial.
Ainda não consegui formar uma opinião sobre o assunto.
Ver parcial de votos
 
  ARTIGOS
 

Análise: Ata do Copom sinaliza que o ciclo de corte de juros está perto do fim

 

Indícios são a menor preocupação com o cenário global e a expectativa de recuperação da atividade doméstica no segundo semestre

19/7/2012 - 12:40 - Redação
 

Depec-Bradesco *

A ata da última reunião do Comitê de Política Monetária do Banco Central referente à sua última decisão de trazer a taxa Selic a 8%, divulgada hoje, trouxe alterações sutis em relação ao documento anterior. No entanto, a supressão de alguns trechos que destacavam a sua frustração com o desempenho da economia doméstica no primeiro semestre e o reconhecimento da menor probabilidade da ocorrência de eventos extremos no cenário externo reforçam a proximidade do fim do ciclo de aperto de juros– em linha com a condução parcimoniosa de flexibilizações adicionais da política monetária.

Copom espera que atividade econômica se recupere em ritmo mais intenso neste semestre.

Ainda assim, não podemos descartar a possibilidade de cortes adicionais para além do nosso cenário básico, que contempla a Selic chegando a 7,5% na próxima reunião (que ocorrerá dia 29 de agosto), uma vez que incertezas relacionadas principalmente ao ritmo de retomada da economia doméstica deixam a porta aberta para novos estímulos monetários. De fato, não podemos deixar de considerar a opção de encerrar o ciclo, na reunião de outubro, com uma redução final de 0,25 ponto percentual.

Apesar de ter reduzido o destaque dado à frustração da atividade doméstica na primeira metade do ano, o Copom voltou a defender que “(...) a recuperação da atividade econômica doméstica tem se materializado de forma bastante gradual.” Por outro lado, o documento ressalta, pela primeira vez, a expectativa de recuperação mais intensa neste semestre.

Ao mesmo tempo, o cenário externo continua com influência desinflacionária, por conta da fragilidade da economia mundial. No entanto, mesmo assumindo que uma solução definitiva da crise na Zona do Euro ainda levará tempo, o BC reduziu a probabilidade de ocorrência de eventos extremos na região. Além disso, chamou atenção para a intensificação do ciclo de afrouxamento monetário global, com destaque para o corte da taxa de juros na China e na Europa. De todo modo, o cenário de retomada global muito gradual, de forma permanente, parece consolidado.

Vale ressaltar a mudança na expectativa do Copom em relação à política fiscal do Governo, que na sua visão, deixa de ser restritiva e passa a ser neutra para o crescimento. Segundo o relatório, o “(...) Comitê pondera que iniciativas recentes apontam cenário de neutralidade do balanço do setor público.” Tal mudança de avaliação, portanto, embute a expectativa de maior contribuição fiscal como fator de estímulo ao crescimento da economia doméstica.

No que tange à inflação, o cenário permanece benigno, à medida que o BC reforça a contribuição desinflacionária do ambiente global ainda frágil. Porém, a supressão da influência positiva da redução dos preços ao produtor pode indicar alguma preocupação de curto prazo com os choques recentes nas commodities agrícolas, que mostraram importante aceleração nas últimas semanas.

Em suma, comparando a ata com os documentos e comunicações anteriores, consolida-se uma visão menos preocupada com a economia global, somada à perspectiva mais positiva para a retomada da atividade doméstica no segundo semestre. Essa combinação de elementos reforça nossa expectativa de pelo menos um corte adicional de 0,50 ponto percentual na próxima reunião, deixando o fim do ciclo em aberto, condicionado ao desenvolvimento do ambiente doméstico.

Nosso cenário, por sua vez, assume uma aceleração do PIB no terceiro trimestre, compatível com expansões próximas, ou até superiores, a 1% no período. Por outro lado, os riscos para a inflação no curto prazo, vindos dos preços agrícolas, podem levá-lo a rever os próximos passos da política monetária.

* Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos do Bradesco.


  • Atualmente 2,8/5 Estrela(s).
  • 1
  • 2
  • 3
  • 4
  • 5

Rate 2,8/5 estrela(s) [ 174 voto(s) computado(s) ]

Enviar |
Imprimir |
[ + ]
ver mais |
[ < ]
voltar |

Compartilhar
Últimas notícias

12:44 - Análise: Vendas no varejo crescem abaixo do esperado em abril e devem cair em maio

15:28 - Análise: Copa das Confederações é oportunidade de virar o jogo

12:53 - Surpresa positiva com a produção industrial de abril concentrou-se em bens de consumo

09:35 - Análise: Lei Anticorrupção será um marco e vai atrair mais investimentos

12:55 - Frustração com PIB reforça expectativa de alta de 0,25 pp na Selic na reunião do Copom

15:15 - Modesto desempenho do crédito em abril: fraca demanda de pessoa física e jurídica

14:24 - Carta do Ibre: Dinâmica das contas públicas mudou depois da crise global

13:43 - Aceleração da PEA nos próximos meses pode elevar temporariamente a taxa de desemprego

13:34 - Piora das transações correntes em maio voltou a ser compensada pelo aumento dos investimentos estrangeiros

07:31 - Vendas no varejo em março sinalizam moderação do consumo das famílias no 1º trimestre

Todos os direitos reservados - Cidade Biz©2012    desenvolvido por  |