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Depec-Bradesco *
A ata da última reunião do Comitê de Política Monetária do Banco Central referente à sua última decisão de trazer a taxa Selic a 8%, divulgada hoje, trouxe alterações sutis em relação ao documento anterior. No entanto, a supressão de alguns trechos que destacavam a sua frustração com o desempenho da economia doméstica no primeiro semestre e o reconhecimento da menor probabilidade da ocorrência de eventos extremos no cenário externo reforçam a proximidade do fim do ciclo de aperto de juros– em linha com a condução parcimoniosa de flexibilizações adicionais da política monetária.
Copom espera que atividade econômica se recupere em ritmo mais intenso neste semestre.
Ainda assim, não podemos descartar a possibilidade de cortes adicionais para além do nosso cenário básico, que contempla a Selic chegando a 7,5% na próxima reunião (que ocorrerá dia 29 de agosto), uma vez que incertezas relacionadas principalmente ao ritmo de retomada da economia doméstica deixam a porta aberta para novos estímulos monetários. De fato, não podemos deixar de considerar a opção de encerrar o ciclo, na reunião de outubro, com uma redução final de 0,25 ponto percentual.
Apesar de ter reduzido o destaque dado à frustração da atividade doméstica na primeira metade do ano, o Copom voltou a defender que “(...) a recuperação da atividade econômica doméstica tem se materializado de forma bastante gradual.” Por outro lado, o documento ressalta, pela primeira vez, a expectativa de recuperação mais intensa neste semestre.
Ao mesmo tempo, o cenário externo continua com influência desinflacionária, por conta da fragilidade da economia mundial. No entanto, mesmo assumindo que uma solução definitiva da crise na Zona do Euro ainda levará tempo, o BC reduziu a probabilidade de ocorrência de eventos extremos na região. Além disso, chamou atenção para a intensificação do ciclo de afrouxamento monetário global, com destaque para o corte da taxa de juros na China e na Europa. De todo modo, o cenário de retomada global muito gradual, de forma permanente, parece consolidado.
Vale ressaltar a mudança na expectativa do Copom em relação à política fiscal do Governo, que na sua visão, deixa de ser restritiva e passa a ser neutra para o crescimento. Segundo o relatório, o “(...) Comitê pondera que iniciativas recentes apontam cenário de neutralidade do balanço do setor público.” Tal mudança de avaliação, portanto, embute a expectativa de maior contribuição fiscal como fator de estímulo ao crescimento da economia doméstica.
No que tange à inflação, o cenário permanece benigno, à medida que o BC reforça a contribuição desinflacionária do ambiente global ainda frágil. Porém, a supressão da influência positiva da redução dos preços ao produtor pode indicar alguma preocupação de curto prazo com os choques recentes nas commodities agrícolas, que mostraram importante aceleração nas últimas semanas.
Em suma, comparando a ata com os documentos e comunicações anteriores, consolida-se uma visão menos preocupada com a economia global, somada à perspectiva mais positiva para a retomada da atividade doméstica no segundo semestre. Essa combinação de elementos reforça nossa expectativa de pelo menos um corte adicional de 0,50 ponto percentual na próxima reunião, deixando o fim do ciclo em aberto, condicionado ao desenvolvimento do ambiente doméstico.
Nosso cenário, por sua vez, assume uma aceleração do PIB no terceiro trimestre, compatível com expansões próximas, ou até superiores, a 1% no período. Por outro lado, os riscos para a inflação no curto prazo, vindos dos preços agrícolas, podem levá-lo a rever os próximos passos da política monetária.
* Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos do Bradesco.
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