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O crescimento da economia da China no segundo trimestre veio bem no limite inferior das projeções de mercado, ao avançar 7,6% sobre o mesmo período de 2011, o que não quer dizer muita coisa. Crentes respiraram aliviados. Céticos continuaram... Céticos. Os crédulos confiam na eficácia das medidas seriadas adotadas pelo governo chinês desde o final do ano passado, misturando queda de juros, afrouxamento do crédito e aumento do investimento público. É a fórmula usual, também aplicada pelo governo Dilma Rousseff. Os descrentes rebatem que a margem para laxismo monetário e fiscal diminuiu na China em relação ao pacotaço anticíclico lançado no fim de 2008 para suturar a recessão que abateu o mundo. Como a economia chinesa é dependente de exportações, estando seus grandes mercados nos EUA, que crescem em marcha lenta, e na Europa, que se arrasta como caranguejo, o pessimismo parece sobrepor-se ao otimismo. Ambos estão certos, dependendo do que queiram expressar, valendo a percepção também para a avaliação sobre o curto prazo da economia no Brasil. Lá, como aqui, as medidas para lubrificar o crescimento, e já são várias, agem com efeito retardado. Sobre o investimento, aqui. E mais sobre o mercado interno, lá, o que é complicado para a China, onde o consumo representa só 36% do PIB (é da ordem de 62% no Brasil), os serviços sociais públicos são limitados e não há liberdade sindical, de imprensa e política. Apesar de tais carências, o provável é que a expansão da economia chinesa não caia abaixo de 7,5% no ano, exatamente a meta para 2012 do plano quinquenal de 2011-2015, cujo crescimento médio no período foi projetado em 7%. E, a propósito, no Brasil, a economia tende a chegar ao final do ano girando a um ritmo anualizado mais para 4% que para 2%, que deve ser a taxa de expansão do PIB em doze meses. As motivações em ambas as economias, no entanto, só coincidem nos resultados pretendidos. O governo Dilma manifesta preocupação maior com as sequelas da desaceleração sobre o nível de emprego, ainda preservado, que sobre as transformações estruturais dos dois componentes estagnados do Produto Interno Bruto (PIB): a produção industrial e o investimento, ambos refletindo problemas de baixa competitividade e (relativamente menos) de produtividade. China discute a direção Já o governo chinês aparenta dar foco à mudança estrutural de uma economia movida, sobretudo, pelos investimentos em infraestrutura e, mais atrás, pelas exportações. É o que está no plano quinquenal. Só que este é um ano de transição, já tendo sido escolhidos, pela cúpula do Partido Comunista, novos presidente e primeiro-ministro, ambos num processo sem transparência. Eles vão assumir em 2013. Segundo o noticiário da imprensa oficial, há um intenso debate sobre os novos caminhos. Há duas correntes. A dos novos dirigentes propõe aumentar o grau de liberalização da economia, desviando-se a ênfase do investimento para o consumo - com mais crédito, programas sociais e salários. A outra ala seria minoritária na cadeia de comando do partido, mas forte junto à burocracia. Ela contesta a perda relativa da primazia dos bancos e empresas estatais, já apontados como ineficientes pelo atual primeiro-ministro Wen Jiabao. Reformas virão em 2013 A primeira e a segunda maiores economias do mundo vivem, assim, os seus momentos de decisão, que se sobrepõem à crise. Os EUA terão em 6 de novembro eleição presidencial, sendo incerto que o presidente Barack Obama se reeleja. Por ora, ele tem pequena vantagem sobre o rival republicano, o ex-governador de Massachusetts Mitt Romney. Parte da paralisia das decisões está nestes impasses. Nos EUA, os republicanos, majoritários na Câmara, algemaram Obama. Na China, a crise inibe a transição de modelos, ao abalar os mercados de suas exportações, especialmente a Europa, que afunda por conta própria, ao não resolver as contradições da união monetária numa economia pesadamente endividada e sem condições de competição global. As surpresas americanas A impressão de consenso é que o quadro global vai piorar antes de melhorar. É preciso cautela com tais avaliações. A análise é correta para a Europa. Mas a China tem estratégia de médio prazo já anunciada, inclusive com revisão do Banco Mundial, encomendada pelo próprio governo (e tratada neste espaço em 29 de fevereiro). Os EUA assistem a um renascimento industrial movido a tecnologia, aproveitam a queda de custos trazida pela crise, como de salários, e desfrutam algo inesperado: a recuperação da produção de petróleo. A oferta derrubou a US$ 3 por milhão de BTU o preço do gás nos EUA, contra US$ 14 na China e Brasil. China e EUA vivem as suas crises, que são graves, mas não estão parados. Poderão ressurgir renovados depois de 2013. Cenários depois da crise A questão é se vamos conseguir acompanhar essas transformações no mundo. A exploração de gás de xisto nos EUA, que possui grandes reservas (tal como Canadá e China), e de áreas fechadas por razões ambientais ou recuperáveis com novas tecnologias, segundo cenários de bancos e consultorias, fará o país outra vez independente de fontes externas até 2022 (incluindo Canadá e México nessa conta). Isso poderá influenciar a exploração do pré-sal. Também estão em curso mudanças tecnológicas em outras indústrias, como no setor automotivo. E de novo nos EUA, onde um plano de metas anuais para redução do consumo por quilometro rodado e de emissões de CO2, com horizonte para além 2022, orienta o desenvolvimento de motores, de materiais mais resistentes e leves e de eletrônica embarcada. A inovação já mexe com todas as indústrias. Aqui, deu-se ênfase à nacionalização dos componentes, não à inovação.
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