Casos graves de adulteração de alimentos têm sido denunciados nas últimas semanas. Para vc:
Falta fiscalização nas empresas por parte do poder público.
São crimes contra a saúde pública que precisam de punição severa.
Não são casos tão graves assim.
Não estou por dentro desse assunto.
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  ANTONIO MACHADO
 

Selic a 8% é recorde, mas é muito mais do que paga uma InBev, 0,8% ao ano numa captação até 2015

 

Dona da Antarctica e da Brahma capta US$ 7,5 bilhões em papéis com até 40 anos e juros anuais de 0,8% a 3,75% em Nova York, menos que a taxa do BC

13/7/2012 - 04:04 - Antonio Machado
 

 Enquanto o Banco Central se reunia em Brasília para fazer o oitavo corte seriado da Selic desde o pico de 12,50% em outubro, trazendo-a para 8% ao ano, menor nível desde os juros de política monetária do período militar, em Nova York a emissão de títulos de dívida por um grupo dirigido por brasileiros mostrava que a realidade do custo do dinheiro no Brasil continua um problema distante da solução.

 No Brasil, uma empresa sólida e bem-sucedida como a Anheuser-Busch InBev, baseada na Bélgica, mas controlada pelos brasileiros Jorge Paulo Lemann, Carlos Aberto Sicupira e Marcel Telles, os ex-donos do Banco Garantia - e poderia ser a Ambev, o braço local do grupo -, não se financiaria por menos de 6% ao ano indo ao BNDES, que tem os menores juros e os maiores prazos de pagamento da praça.

 O juro nominal para uma empresa tríplice A, no mercado, paga 9,5% ao ano, que vem a ser a expressão da taxa de juro básica Selic, do BC, aplicada como piso aos financiamentos para empresas sem risco. Pouquíssimas desfrutam esse privilégio. E a AB InBev em Nova York?

 Na quarta-feira, a dona da Antarctica e da Brahma no Brasil, além da Budweiser nos EUA, anunciou a oferta de US$ 7,5 bilhões em bônus com diferentes prazos, na segunda maior emissão de papéis de dívida do ano no mercado internacional - capital a ser usado para concluir a compra das ações da cervejeira Modelo, do México, mais conhecida pela sua marca principal, a Corona.

 A InBev já é dona de metade da Modelo. Pelo controle total, pagará US$ 20,1 bilhões, atingindo um faturamento global de US$ 47 bilhões e presença em 24 países. É um negócio portentoso.

 Se fosse feito a partir do Brasil, provavelmente não acontecesse. Menos pelo volume envolvido e, sim, pelo custo proibitivo. Afora o BNDES, a banca não opera com tais volumes e prazos no Brasil e o mercado de ações e de papéis de divida é minúsculo. Ainda assim, tais óbices poderiam ser removidos, como costumam ser em negócios da Petrobras e da Vale.

 O que ainda é inamovível, não obstante o esforço do BC para baixar a Selic, piso do custo do dinheiro no país, são os juros efetivos. É um dos principais fatores da baixa competitividade das empresas - motivo do desanimo empresarial, independentemente da crise externa, para a retomada do investimento não agraciado com facilidades.

O que é competitividade

 A crise é medonha no mundo, mas bons projetos não morrem por falta de interessados e o custo financeiro continua tão apetitoso quanto era nos anos de esplendor do crédito a rodo rompido em 2008.

 A operação da InBev é vitrine do que está disponível. A captação é de US$ 7,5 bilhões. Os bancos coordenadores da emissão, no entanto, receberam propostas acima de US$ 30 bilhões. E o custo?

 Para notas com vencimento em 2015, três anos, portanto, no valor de US$ 1,5 bilhão, os juros negociados foram de 0,8% ao ano. No Brasil, algo assim só se acha ao mês, e o cliente precisa ser bom pra caramba.

Fé é pouco para investir

 Os bônus de cinco anos (US$ 2 bilhões) foram fechados a 1,375% ao ano. Com vencimento em 2022 (US$ 3 bilhões), 2,5%. E em 2042, com 40 anos de prazo, 3,75% ao ano. “E ainda me cobram o tal espírito animal”, suspira um empresário brasileiro dos grandes, referindo-se à metáfora lapidar do magistral economista John Keynes, repetida a gosto pela presidente Dilma Rousseff e pelo ministro Guido Mantega.

 O ex-ministro Antonio Delfim Netto, fã da imagem de Keynes, disse numa palestra que o ministro está em seu papel ao incitar o arrojo dos empresários. Mas reconheceu que a taxa de retorno dos projetos empresariais, de uma estrada licitada ao setor privado à construção de uma nova fábrica, é o que condiciona o ato do investimento, não palavras de fé no futuro do negócio e do país. Só vale o resultado.

Onde a porca torce o rabo

 É ai, como se dizia de antanho, que a porca torce o rabo. Não se minimiza a disposição do governo de apoiar novas iniciativas, mas fraqueja com o que depende só de si (o investimento público) e, no capítulo financeiro, por mais que faça não consegue chegar ao custo das empresas nos EUA, na China, na Alemanha. Até no Peru é menor.

 O juro real (antes, durante e depois da grande crise de 2008) onde quer que haja mercado de capitais maduro ou uma estratégia oficial de apoio ao investimento é sempre negativo. Ou bem inferior à taxa de retorno das iniciativas públicas e privadas.

 Já foi assim aqui, no período autoritário. Em todos os sentidos, o legado foi ruim e não será repetido. Mas a maior parte da infraestrutura pública e do parque industrial que ainda estão ai foi construída com repressão financeira e câmbio desvalorizado.

 Ou se faz assim (modelo chinês) ou com o mercado (EUA) ou com um mix (Alemanha, Coréia do Sul). Em qualquer caso, a política econômica será diferente.

Um surto de investimento

 A caminho da metade de seu mandato, deve estar claro para Dilma o que não vai para frente, o que precisa mudar e o que merece quebrar lanças para fazer. A síntese que resume tais apreensões é um “surto de investimento”, como define o economista Fernando Montero.

 Para ele, é o que permite resolver vários problemas de uma penada, como a falta de oferta e soluços da demanda agregada, permitindo à economia, também, crescer sem pressão de serviços e de salários. Na face contrária, sem investimentos em volume e com ritmo adequados, segundo Montero, “serão multiplicados os estímulos ao consumo até a indigestão da economia devido a salários, serviços e custeio”.

 De algum modo é o que está em curso, com o aumento dos gastos nos setores públicos sem contrapartida de produtividade nem melhora das condições do investimento e do ambiente econômico. É como um pastel de vento: gordo e sem conteúdo. Dilma parece querer esvaziá-lo.


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