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Depec-Bradesco *
O IPCA subiu 0,08% em junho, abaixo da nossa expectativa (+0,15%) e também da mediana das projeções do mercado (+0,12%, segundo levantamento da Agência Estado), conforme divulgado hoje pelo IBGE. Na variação acumulada nos últimos 12 meses, o índice arrefeceu de uma alta 4,99% em maio para 4,92% em junho. O indicador mostrou nova descompressão em relação ao mês anterior (+0,36%), ainda refletindo a dissipação dos reajustes nos preços dos cigarros e medicamentos e a queda sazonal de vestuário. O destaque, no entanto, foi a queda mais pronunciada dos preços de automóveis novos e usados (de 5,48% e 4,12%, respectivamente), na comparação com maio, refletindo a redução do IPI.
IPCA desacelera para 0,08% em junho, menor resultado desde agosto de 2010.
Assim, a desaceleração apontada pelo indicador em junho concentrou-se no grupo de transportes e habitação, que juntos contribuíram com 0,20 pontos percentuais na descompressão do IPCA. Enquanto o primeiro acentuou a queda em relação a maio, passando de -0,58% para -1,18%; o segundo passou de uma elevação de 0,80% para 0,28%. Para o enfraquecimento da inflação no mês, destacamos o comportamento dos itens de alimentação e bebidas, artigos de residência, vestuário, saúde e cuidados pessoais e despesas pessoais.
Os núcleos mostraram comportamento semelhante ao índice cheio, com todas as medidas moderando em relação a maio. O núcleo por expurgo passou de +0,26% para -0,09%, enquanto o IPCA DP2 foi de +0,34% para +0,09%. Entretanto, grande parte desta melhora deveu-se à queda do preço dos automóveis, já que descontados esses valores do cálculo, observa-se certa aceleração na margem. Os serviços, por outro lado, aceleraram na passagem de maio para junho, avançando de 0,21% para 0,52%. Para a pressão observada neste grupo, destacamos o desempenho de recreação, serviços de saúde e alimentação fora do domicílio.
Para julho, esperamos alguma aceleração do IPCA, puxada pela recuperação dos preços de automóveis, que já começa a aparecer nas coletas, lembrando que este foi o principal fator de descompressão nesta leitura de junho. Além disso, devemos levar em conta algum repasse da aceleração dos IGPs, acumulada nos últimos meses, principalmente sobre os preços dos alimentos, como consequência da depreciação do câmbio e da alta mais recente das cotações internacionais de diversas commodities agrícolas.
* Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos do Bradesco.
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