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Depec-Bradesco *
De acordo com a Pesquisa Industrial Mensal (PIM), divulgada hoje pelo IBGE, a produção industrial recuou 0,9% em maio, comparativamente ao mês anterior na serie livre de influências sazonais. O resultado ficou ligeiramente abaixo da nossa projeção (-0,6%) e da expectativa mediana do mercado (-0,7%, segundo levantamento da Agência Estado). Trata-se da terceira queda consecutiva na margem, período no qual a produção acumulou recuo de 2%. Na comparação com o mesmo período de 2011, a variação foi de -4,3%, representando a nona variação negativa consecutiva nessa métrica.
Na terceira queda seguida, produção industrial recua 0,9% em maio.
O desempenho negativo da indústria em maio resultou da retração de 14 das 27 atividades pesquisadas, com destaque para veículos automotores (cuja produção registrou queda de 4,5% na margem) e alimentos (com recuou de 3,4%, na mesma base de comparação). Enquanto o desempenho da primeira atividade foi influenciado negativamente pela paralização de montadoras de caminhão, a segunda foi prejudicada por problemas que já têm afetado o PIB agropecuário, tais como a redução nos abates de bovinos e suínos (neste último caso, a queda pode estar sendo influenciada pelo recuo nas exportações para a Argentina) e redução no refino de açúcar.
Na leitura desagregada dos dados, ainda chama a atenção a redução de 10,9% (na margem) na produção de materiais eletrônicos, aparelhos e equipamentos de comunicação, com destaque para a queda na fabricação de aparelhos celulares. Por outro lado, entre os ramos que ampliaram a produção, o que apresentou maior desempenho foi o da fabricação de produtos de metal, que avançou 13,2% em relação à abril, mais do que compensando a perda de 6,1% acumulada nos três meses precedentes.
Entre as categorias de uso, o ajuste de estoques de caminhões, que paralisou montadoras em maio, contribuiu para a queda de 1,8% dos bens de capital. A categoria de duráveis, por sua vez, registrou recuo de 2,2% dos bens de consumo duráveis, taxa influenciada pela redução na produção de celulares, automóveis, eletrodomésticos da linha marrom e motos. Além disso, os bens de consumo semi e não duráveis recuaram 2,1% na margem, enquanto os bens intermediários ficaram praticamente estáveis na mesma comparação (crescimento de 0,2%).
Vale destacar as revisões da série, ocorridas principalmente diante da retificação de informações por parte de empresas, sobretudo as de bens de capital. O resultado de abril foi revisado de -0,2% para -0,4%, enquanto o de março passou de -0,5% para -0,8%. Assim, o resultado da atividade industrial no primeiro trimestre passou de -0,7% para -1,1%. Nesse sentido, o dado reportado hoje pelo IBGE mostra um quadro mais fraco do que o imaginado anteriormente.
Em suma, os resultados anunciados hoje pelo IBGE confirmam a continuidade do fraco desempenho da indústria no segundo trimestre, intensificado pela revisão para baixo do crescimento dos primeiros meses do ano. Esse quadro é reforçado pela Sondagem da Indústria de Transformação, da FGV, cujo resultado de junho apontou que 9,3% das empresas apontam que estão com estoques excessivos. A nosso ver, o nível dos inventários constitui uma restrição relevante para uma retomada mais forte da produção manufatureira. Na mesma direção, a relação entre demanda e estoques industriais parou de melhorar, mostrando certa estabilidade.
Olhando para frente, acreditamos que os estímulos monetários e fiscais já implementados, além daqueles anunciados mais recentemente (como o corte de 0,5 ponto percentual da Taxa de Juros de Longo Prazo e o programa de compras do Governo), devem favorecer, ainda que em ritmo moderado, a retomada da produção industrial nos próximos meses. Ainda assim, reconhecemos que o setor manufatureiro está sendo um driver importante para impedir uma retomada mais evidente da atividade econômica em geral.
* Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos do Bradesco.
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