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Análise: Relatório da inflação do BC reforça expectativa de Selic em 7,5% no final do ano

 

Visão da autoridade monetária, baseada na fragilidade do cenário externo, sinaliza uma lenta recuperação doméstica

28/6/2012 - 16:56 - Redação
 

Depec-Bradesco *

A visão do Banco Central manteve-se praticamente inalterada no Relatório de Inflação do segundo trimestre, divulgado hoje, quando comparamos com os últimos documentos e as manifestações recentes da instituição. De fato, o BC reafirmou as influências adversas do cenário externo para a economia brasileira ao mesmo tempo em que ressaltou a lenta recuperação doméstica. Nesse contexto, o viés para os preços é desinflacionário e as projeções seguem apontando para um cenário benigno.

BC reduz estimativa de crescimento do PIB para 2,5% em 2012 e eleva projeção da inflação.

Diante disso, mantemos nossa expectativa de mais dois cortes da taxa de juros, que deverá chegar a 7,5% neste ano, levando em conta a defasagem da transmissão da política econômica, a mensagem de parcimônia nas próximas decisões e a falta de dinamismo do cenário global, aspectos bastante defendidos pela autoridade monetária.

O entendimento é de que a situação da economia mundial vem se agravando nos últimos meses, já que o cenário prospectivo “contempla baixo crescimento da atividade global, por um período de tempo prolongado”. Somando-se à perda de dinamismo das economias maduras, há o destaque para a desaceleração dos países emergentes, com revisões para baixo para as perspectivas de crescimento tanto da América Latina quanto da Ásia, sendo que em alguns casos leva-se em conta mudanças estruturais do modelo de crescimento, com destaque para a China (ainda que acreditemos que o Brasil também esteja mudando sua dinâmica). Neste ambiente, o efeito dessa perda de ímpeto da economia global, mais disseminado e permanente, é desinflacionário.

O documento trouxe a revisão da expectativa para o crescimento do PIB, que passou de 3,5% para 2,5%, ressaltando a recuperação bastante gradual da economia. O destaque dado no documento à lenta transmissão da política monetária para a economia (parece ser ainda mais demorada no atual ciclo) e aos efeitos da piora da percepção acerca do cenário externo sobre a confiança dos agentes brasileiros, sugere que o BC espera recuperação gradual nos próximos trimestres.

Olhando para trás, o Relatório nota o comportamento menos favorável de alguns vetores da economia, como o mencionado “desempenho insatisfatório” dos investimentos e a moderação já visualizada no mercado de trabalho. Mas é importante ter em mente que para que o crescimento de 2,5% seja concretizado em 2012, precisamos ver uma forte recuperação no segundo semestre. Assumindo uma alta de 0,5-0,7% no segundo trimestre, nossas estimativas apontam para a necessidade de uma expansão média por trimestre entre 2,1-2,3% na segunda metade deste ano para alcançar o valor de 2,5%.

Com isso, as implicações para a inflação seguem favoráveis. De fato, há o reconhecimento do “processo, ora em curso, de reavaliação do ritmo da atividade, doméstica e externa, bem como pelo recuo da inflação corrente, que impacta a dinâmica da inflação futura, por exemplo, via inércia”.  No cenário de referência, temos a indicação de inflação de 4,7% em 2012, o que é 0,3 p.p. superior ao projetado no RI de março de 2012. Para 2013, a projeção aponta para elevação dos preços de 5,0%. No cenário de mercado, a previsão para a inflação acumulada em 2012 também é de 4,7%, subindo 0,2 p.p. ante o projetado em março. Para 2013, o cenário de mercado é de inflação de 4,9%.

Em suma, na nossa leitura, o Banco Central tomará suas próximas decisões levando em conta as baixas expectativas para a economia global e a velocidade menor de transmissão da política econômica no Brasil. Mesmo ajustando sua projeção para o PIB deste ano, não foram explorados todos os vetores de aceleração do segundo semestre, à medida que o documento não menciona as recentes mudanças, como a redução do IPI de veículos, que tem acelerado as vendas, além da redução da TJLP e do pacote fiscal (anunciadas ontem). Esses elementos serão favoráveis para a retomada na segunda metade do ano.

Parece, assim, que o BC está considerando que levará um pouco mais de tempo para que se verifiquem os efeitos das diversas medidas adotadas desde meados do ano passado e ficará atento aos sinais na margem da aceleração da economia, dadas as elevadas incertezas presente no Brasil e no mundo.

* Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos do Bradesco.


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