Casos graves de adulteração de alimentos têm sido denunciados nas últimas semanas. Para vc:
Falta fiscalização nas empresas por parte do poder público.
São crimes contra a saúde pública que precisam de punição severa.
Não são casos tão graves assim.
Não estou por dentro desse assunto.
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  ANTONIO MACHADO
 

Com inadimplência de 30% no cartão e 8% na média, em maio, crédito ao consumo põe a língua de fora

 

Menos mal que os juros tenham arrefecido, baixando de 41,8% ao ano em abril para 38,8% nas operações com pessoas, o que não chega a ser um refresco.

27/6/2012 - 02:10 - Antonio Machado
 

 Os indicadores do crédito relativos a maio, divulgados pelo Banco Central, mostram um cenário coerente com um presente movimentado e um futuro arriscado. É a outra face do nível de emprego recorde e da renda em alta em meio à estagnação industrial e do investimento.

 O ritmo dos financiamentos continua intenso, contrariando a ideia de moderação, embora com sinais mistos. Com comportamento errático, as novas concessões de crédito (medida relevante para o crescimento da economia) avançaram forte em maio para as empresas - 5,2% sobre abril, quando haviam recuado 0,9%, depois de terem subido 4,3% em março. E encolheram 0,9% para as pessoas físicas, vindo de alta de 3,9%, em abril, e de retração de 4,7% em março.

 É como se a banca controlasse as torneiras do crédito conforme não só a procura, mas também o risco entre as operações com empresas e com pessoas. No mapa do BC, o guichê empresarial jorrou mais.

 Na média, totalizando o fluxo de novas operações a pessoas físicas e jurídicas, o crédito cresceu 2,7% em maio e 10,5% em relação ao mesmo mês de 2011. O comparativo interanual expõe a maior prudência da banca, já que é cadente o ritmo de crescimento do fluxo: ele vem de +12% em março para +11,8% em abril e +10,5% agora em maio.

 Dá para cogitar que a desaceleração das novas contratações, embora pequena, se deva à cautela do consumidor e da banca, alarmados com o aumento da inadimplência. Dois números clarificam este cenário.

 O primeiro está na evolução do saldo total do crédito: ele cresceu 18,3% em relação a maio de 2011 - contra 18,2% em abril e 18,3% em março - e 1,7% sobre abril, atingindo R$ 2,13 trilhões, ou 50,1% do PIB. Está estagnado, mas não em queda. O outro dado tem relação com a indigestão do crédito: a taxa de inadimplência.

 Ao contrário da expectativa do governo, a inadimplência aumentou, saltando de 5,8% em abril para 6% em maio, considerando os atrasos com mais de 90 dias. Conforme o cenário dos últimos meses, a taxa de inadimplência avançou nas operações com pessoas, passando de 7,8% para 8%, estabelecendo um novo recorde, e se manteve estável no crédito para empresas – 4,1%, entre março e maio.

Com subsídio, até vai

 No conjunto das operações, o crédito direcionado, nomenclatura das linhas com juros subsidiados nos bancos públicos, vem sustentando o maior ritmo de crescimento. E alargando a fatia da banca estatal em relação aos privados, que continuaram retraídos em maio.

 Em termos de saldo do crédito, os recursos direcionados cresceram 22,4% em maio sobre igual mês de 2011, enquanto o chamado crédito livre – ou seja, a juros de mercado e sem obrigatoriedade quanto à finalidade do empréstimo -, avançou menos, 16,1%. Entre os fundos com aplicação direcionada, o crédito à habitação tem sido destaque, com alta no mês de 2,8%, seguido das operações do BNDES, com 1,6%.

Não dá para ignorar

 Os dados a examinar com atenção no mapa do crédito são os da ponta do consumo, já que estão neles os sinais de esgotamento temporário do que tem sido desde 2007 o principal propulsor do crescimento.

O desempenho mais fraco das operações com pessoas foi puxado pelo crescimento menos vistoso do financiamento de carros, cujo ritmo diminuiu de 4,1% em abril para 3,5% em maio, e do crédito rotativo dos cartões, que recuou 2,8% no mês.

 Os atrasos com mais de 90 dias no cartão já chegam a quase 30% do total dos pagamentos nesta modalidade de crédito, a mais cara e de execução mais demorada.

 É temeridade ignorar a exaustão do consumidor. No crediário para a compra de bens, a inadimplência subiu de 13,5% em abril para 13,9%. No segmento de carros, supostamente com maior controle cadastral, avançou de 5,9% para 6,1%. No cheque especial, de 10,1% para 11,3%.

Exaustão é temporária

 Menos mal que a taxa de juros tenha arrefecido, baixando de 41,8% ao ano em abril para 38,8% em maio, nas operações com pessoas, e de 26,3% para 25%, para empresas, o que não chega a ser um refresco, já que o custo do dinheiro nas linhas de maior risco, como cheque especial, ainda vai de absurdos 5% ao mês a mais de dois dígitos.

 O cenário do consumidor com a corda no pescoço é passageiro, se o desemprego continuar em nível baixo, a renda real não esmorecer e o governo tiver o recato de não atiçar o consumo com miçangas, como o corte do IPI de eletrodomésticos e carros.

 Neste sentido, é bem vindo o pacote de incentivos ao investimento privado, depois de já ter sido ampliada de R$ 39 bilhões para R$ 49 bilhões a linha de crédito especial aos estados.

 O que está carente é o investimento, com a dupla missão de ampliar oferta e demanda. E o crédito ao consumo? É melhor deixar quieto até passar o tempo da digestão.

Sabedoria convencional

 Parte dos equívocos da política econômica se deve ao sentimento de que a economia prospera graças à sabedoria dos governantes. Não é o motivo principal. Sem a bolha das commodities, tudo teria sido mais difícil, a começar pelo aumento cadenciado do gasto público e das políticas sociais. A distensão do crédito, associada à inflação baixa, fez o resto do serviço, ao alargar o poder de compra da renda real.

 Desse arcabouço, incerta hoje é a renda das commodities (mais as minerais que as agrícolas). O resto está intacto, dando-se tempo para a adequação da parcela da renda das famílias comprometida com o pagamento de dívidas.

 Os itens desajustados na equação da macroeconomia são a taxa de poupança, muito baixa comparada à demanda agregada (a razão dos déficits externos e também de parte dos juros elevados), assim como a sua contraface, o investimento público e privado, cuja dimensão é o que acelera ou contrai, no Brasil atual, o crescimento econômico.


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