Casos graves de adulteração de alimentos têm sido denunciados nas últimas semanas. Para vc:
Falta fiscalização nas empresas por parte do poder público.
São crimes contra a saúde pública que precisam de punição severa.
Não são casos tão graves assim.
Não estou por dentro desse assunto.
Ver parcial de votos
 
  ANTONIO MACHADO
 

Desemprego crava novo recorde de baixa, renda cresce, inflação cai, mas o emprego perde ímpeto

 

Taxa de desocupação cai em maio para 5,8%, com a inflação de junho na medida de meio do mês do IPCA-15 de apenas 0,18%, ou 5% em doze meses

22/6/2012 - 04:19 - Antonio Machado
 

O empresariado está reticente em ampliar o investimento produtivo, mas os negócios continuam muito bons para a maioria das atividades, esticando um ciclo de expansão não captado pelo desempenho do PIB (Produto Interno Bruto). Por mais surpreendente que seja, está é a realidade transmitida pelo IBGE com os dados do emprego e inflação.

 A taxa de desemprego medida pelo IBGE nas seis principais regiões metropolitanas recuou em maio para 5,8% da População Economicamente Ativa (PEA), vindo de 6% em abril - o que consegue ser, apesar do ambiente hostil na economia global, 0,6 ponto percentual menor que a taxa de maio de 2011. Entre as seis regiões pesquisadas, Salvador teve a maior taxa de desemprego (8%). Porto Alegre, a menor (4,5%).

 Com o ajuste sazonal, a taxa de desocupação cedeu de 5,7% em abril para 5,4% em maio, estabelecendo novo piso histórico do desemprego na pesquisa do IBGE. Tal distensão, normalmente associada a aumento da renda, que subiu 4,9% em maio comparada a 2011, elevando para R$ 1.725,60 o rendimento médio dos assalariados, tem se dado sem sinal de inflação. O IPCA-15 de junho, prévia para a inflação mensal dos preços ao consumidor, decresceu de 0,51% em maio para apenas 0,18%.

 Em doze meses até o meio de junho, a inflação acumula aumento de 5%, contra 5,05% na mesma métrica até maio, aproximando-se da meta central fixada pelo governo ao Banco Central, 4,5%. A tendência do IPCA para o mês de junho completo é de quase estabilidade, trazendo outro reforço à renda real - e, portanto, ao aumento do consumo.

 A massa salarial real, ou seja, descontada a inflação, apresentou alta interanual de 7,5% em maio, ante 8% em abril. No acumulado até maio, a massa de salários pagos avançou 6,8% sobre igual período de 2011. Foi o maior aumento nesta base de comparação na série do IBGE (só fica atrás do aumento de 7,4% entre janeiro-maio de 2007/06).

 A tranquilidade do mercado de trabalho não é absoluta, como se vê pelo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), apurado pelo Ministério do Trabalho, que mede a situação do emprego formal em todo o país. A pesquisa do IBGE pega uma amostra de regiões, mas apura também a situação do emprego informal. Ambas se complementam.

Dependência arriscada

 O conjunto de indicadores divulgado pelo IBGE é bastante positivo e consistente, embora o resultado mascare situações distintas para o universo de atividades. No agregado, o desemprego murchou devido ao aumento interanual de 2,5% do total de ocupados em maio, ou de 1% comparado a abril, e de 1,9% da PEA (ou de 0,2% frente a abril).

 A divisão desses dados por setores descreve melhor o momento da economia e as causas da desaceleração do produto. A redução da taxa de desemprego, por exemplo, foi puxada pelos setores de serviços - que criou em maio 4,9% mais postos de trabalho que em igual mês de 2011 - e construção civil, +4,8%.

 Na contramão, o nível de emprego na indústria manufatureira recuou 1,4%. As importações industriais e os baixos investimentos explicam o ritmo pífio do PIB. E indicam a crescente, arriscada dependência da economia do nível do consumo.

Indústria segue fraca

 Os números do Caged revelam o viés da menor tração do mercado de trabalho, mas não ao ponto de desafogá-lo. O Caged e a pesquisa do IBGE parecem indicar, segundo o economista Fernando Montero, que o emprego com carteira estagnou, substituído, talvez, por contratos informais. Em tempos de incertezas, o emprego formal é adiado, tal como os investimentos, dado o elevado custo da formalização.

 O saldo entre admissões e dispensas com carteira assinada chegou a 139,7 mil em maio, resultado menor que em maio de 2011 (252,1 mil). Na série mensal ajustada pela consultoria LCA, o saldo líquido de vagas caiu de 91,9 mil em abril para 56,6 mil em maio, menor nível desde junho de 2009.

 A indústria de transformação criou apenas 20,3 mil empregos líquidos em maio, o que não espanta, pois se encontra praticamente estagnada desde meados de 2010.

Cenário deve melhorar

 Surpresa é constatar que o emprego em construção civil e serviços, incluindo o setor público, rateou em maio. A geração de empregos na construção recuou de 40,6 mil novos postos em abril para 14,9 mil em maio.

 Com 47,2 mil vagas, o setor de serviços ofereceu 60% menos empregos que em maio de 2011. Comércio também puxou o freio, com 9,7 mil empregos líquidos, contra 33,7 mil em abril.

 A essa altura, exceto pela Europa, não se vislumbra nada grave. Os estímulos ao consumo e o investimento público, apesar da lentidão, devem acelerar a economia e garantir um 2013 aquecido. Mas, mantido como está, com o investimento total miúdo, a decepção virá adiante.

Menos papo e mais ação

 O que há a questionar é a relutância do governo, sobretudo diante da crise que enfraquece os países avançados e emergentes de ponta, como China e Índia, em tirar proveito do relativo bom momento da economia para liderar um salto de qualidade.

 As condições intactas do consumo, e ainda mais dos fatores que o acionam, como o emprego, a renda real e o crédito, não deveriam servir apenas para o governo se sentir seguro para continuar desinchando a taxa básica de juro.

 Ou para aumentar o preço dos combustíveis, atendendo o programa de investimentos da Petrobras. É uma prioridade, mas tanto quanto o problema da indexação - motivo de a inflação ter piso. Ou da reforma federativa - primeiro passo para discutir a dimensão do Estado e avaliar o que é devido e o que pode ser cortado.

 É o jeito certo de tratar o ônus tributário - principal causa de a indústria perder competitividade. Em suma: menos retórica e mais ação.


  • Atualmente 2,9/5 Estrela(s).
  • 1
  • 2
  • 3
  • 4
  • 5

Rate 2,9/5 estrela(s) [ 185 voto(s) computado(s) ] Obrigado pelo seu voto!

Enviar |
Imprimir |
[ + ]
ver mais |
[ < ]
voltar |

Compartilhar
Últimas notícias

03:19 - Desemprego baixo, mas subindo, é sinal de firmeza. E de riscos, com o mundo em transformação

03:11 - Presidente do Fed descarta fim do laxismo, e BC ganha tempo para as contas externas e a inflação

03:00 - Criação de empregos diminui em abril e tende a avançar atrás do ritmo do PIB, mas sem demissões

04:02 - Coutinho rebate mal-estar de investidor em Nova York e expõe o país a caminho de outro salto

00:09 - Dilma governa um fim de ciclo sem que esteja claro o que há adiante - estagnação ou novo salto

02:49 - Mantega diz que emprego é tão ou mais importante que o PIB e expõe uma ideia que não é retórica

01:26 - Inflação quebra queda seriada desde janeiro e sobe 0,55% em abril, mas a taxa anual baixa a 6,49%

03:39 - Brasileiro vai reger Organização Mundial do Comércio num momento de alta tensão da economia global

02:42 - Ataque à inflação é mais desafiador em meio à exaustão dos impulsos para acelerar o crescimento

01:31 - EUA recebem a primavera reduzindo o desemprego. Aqui, o inverno da indústria continua e se alastra

Todos os direitos reservados - Cidade Biz©2012    desenvolvido por  |