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Depec-Bradesco *
O desemprego nas regiões metropolitanas de Recife, Salvador, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo e Porto Alegre recuou para 5,8% em maio, de acordo com a Pesquisa Mensal de Emprego (PME/IBGE), divulgada hoje. O resultado ficou abaixo da nossa expectativa (6,2%), assim como da mediana das projeções do mercado (6,0%), e representou uma queda de 0,6 ponto percentual em relação ao mesmo mês de 2011. Na série ajustada sazonalmente pelo Depec-Bradesco, a taxa de desocupação recuou de 5,7% em abril para 5,4% em maio, atingindo nova mínima histórica.
Desemprego cai pelo terceiro mês seguido e fica em 5,8% em maio.
A surpresa positiva com o resultado reportado pelo IBGE decorreu principalmente da forte elevação da população ocupada, que registrou expansão de 2,5% em relação ao mesmo mês do ano passado – o equivalente a um avanço de 1,0% na margem nos dados dessazonalizados pelo Depec-Bradesco (maior taxa mensal desde janeiro de 2003). Entre as atividades que compõem a PME, os destaques na criação de postos de trabalho foram serviços e construção civil, com altas interanuais de 4,9% e 4,8% respectivamente. Por outro lado, a indústria continua chamando atenção pela eliminação de vagas, com recuo de 1,4% da população ocupada na mesma base de comparação.
Em relação especificamente à construção civil, as contratações vêm sendo favorecidas pela grande quantidade de lançamentos passados que estão sendo entregues. Para frente, no entanto, a perspectiva para o mercado de trabalho neste setor é menos positiva, uma vez que a quantidade de novos lançamentos tem desacelerado.
De um modo geral, a PME de maio surpreendeu positivamente e continua mostrando um mercado de trabalho ainda bastante apertado. No entanto, essa leitura diverge dos números do CAGED, cujos resultados até abril apontam desaceleração na margem; a nossa expectativa para os números de maio, que serão divulgados hoje (14h), é de uma criação líquida de 180,5 mil postos, o que, se confirmado, reforçará a tendência de desaceleração.
Cabe destacar que há diferenças metodológicas entre as duas pesquisas, além de abrangências geográficas distintas. Enquanto a PME é apurada nas seis maiores regiões metropolitanas do país e inclui a ocupação informal, o CAGED é um levantamento que abrange todo o território nacional, utilizando somente dados de emprego com carteira assinada. Acreditamos que a diferença entre as duas pesquisas pode estar refletindo a maior contribuição dos setores que têm tido maior dinamismo, como construção civil e serviços, ao passo que no CAGED a indústria e a agropecuária (atividades que têm sofrido mais) ganham maior importância. Esse ponto é reforçado quando consideramos que o CAGED construído somente com as seis regiões abrangidas pelo IBGE está em linha com a PME.
Em decorrência do mercado de trabalho ainda apertado, os indicadores de renda continuam apresentando resultados expressivos, o que tem contribuindo para a sustentação do consumo privado em patamares elevados. Em maio, o rendimento médio real habitualmente recebido pelos trabalhadores atingiu R$ 1.725,60, o que representou uma alta de 4,9% em relação ao mesmo mês de 2011. A perspectiva de expansão da renda em ritmo elevado, como o que tem sido verificado, reforça a nossa visão de que o consumo continuará forte.
* Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos do Bradesco.
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