Casos graves de adulteração de alimentos têm sido denunciados nas últimas semanas. Para vc:
Falta fiscalização nas empresas por parte do poder público.
São crimes contra a saúde pública que precisam de punição severa.
Não são casos tão graves assim.
Não estou por dentro desse assunto.
Ver parcial de votos
 
  ANTONIO MACHADO
 

Ofensiva pelo investimento público com governadores reforça a tênue melhora da prévia do PIB

 

Se as obras incentivadas nos estados complementarem o investimento privado, a multiplicação do capital investido (ou produtividade) será maximizada

16/6/2012 - 17:26 - Antonio Machado
 

 O acompanhamento mensal do Produto Interno Bruto (PIB) pelo Banco Central por meio de indicadores de produção, consumo e crédito é só uma prévia do desempenho efetivo da economia monitorada em períodos trimestrais pelo IBGE, mas tem revelado razoável precisão.

 A última medição desse índice, IBC-Br, referente a abril, reforça o que se viu no PIB do primeiro trimestre: a economia está fraca e pode enfraquecer-se ainda mais, justificando ações para reativar o crescimento econômico. É o que motivou a presidente Dilma Rousseff a se reunir na sexta-feira com os 27 governadores para anunciar uma linha de crédito especial de R$ 20 bilhões disponível para projetos de investimentos que os estados formulem até 31 de janeiro de 2013.

 Melhor assim que direcionar os esforços para reanimar a economia a gastos fiscais permanentes. Até porque a economia carece mais da demanda derivada de investimentos que da expansão nominal tanto de salários como do crédito ao consumo, mas não à produção.

 Ainda assim, o governo já acionou medidas fortes para destravar o crédito e articula políticas que sustentem uma expansão aceitável do PIB para preservar tanto quanto possível o emprego e a renda. A expectativa é que surtam efeito de meados do segundo semestre para frente, fortalecendo as prévias mensais do PIB calculado pelo BC e as taxas trimestrais da medição oficial pelo IBGE.

 Na prévia de abril do PIB, o BC já detecta alguma melhora em meio ao resultado notoriamente ruim. O IBC-Br avançou 0,22% sobre março e registrou leve queda de 0,02% em relação a igual mês de 2011.

 Em termos anualizados, o PIB está crescendo a 2,7%, tanto quanto o seu desempenho em 2011. No quadrimestre, acumula expansão de 0,6% sobre igual período anterior, que se compara à retração de 0,9% da produção industrial.

 Pode-se inferir que está ai a causa maior da palidez do PIB, com o consequente esmorecimento do investimento – uma função agravada pela crise global e pela inabilidade do governo para lançar e sustentar sem paradas os programas de obras públicas.

PIB será feio este ano

 Se recuperar a eficiência das obras de infraestruturas, o motivo do incentivo aos governadores para tocar a parte que lhes cabe, já que os estados têm demonstrado maior aptidão que o governo federal, além da ajuda do câmbio mais depreciado e dos juros menores, Dilma poderá colher resultados melhores do fim do ano em diante. Este ano não: o crescimento perdido até aqui já moldou um PIB tosco em 2012.

 Na conta do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da, FGV, o PIB de 2012 crescerá 1,8%, travado pela indústria e pelo investimento.

 Se o crescimento rateia sem que haja uma gritante insuficiência de consumo, quatro coisas podem acontecer: uma parte da demanda estar sendo atendida por importações, o crédito ter encolhido, o gasto público represado ou o investimento estagnado. Ou um pouco de tudo.

Dando emprego a gringos

 Das quatro possibilidades, a primeira é a principal causa do pífio desempenho do PIB. O consumo cresce, mas um pedaço vaza para fora, devido à baixa competitividade da indústria. A participação de bens importados no consumo interno, segundo a Confederação Nacional da Indústria, já chega 22% - recorde dessa série, iniciada em 1996.

 Quanto maior a contribuição externa para a demanda interna, menor será a taxa de crescimento do PIB, explicada tanto pela desvantagem de custos da indústria vis-à-vis a produção de outros países, como pela incorporação estrutural, pelas cadeias produtivas, de insumos e partes importadas para melhorar a competitividade industrial.

A nova atitude de Dilma

 O crédito diminuiu, sobretudo ao consumo, devido à inadimplência e ao comprometimento da renda com prestações, mas há indicação de que começa a voltar - e em melhor condição, dada a queda dos juros, mas ainda sem repassar todo o resultado da distensão da Selic.

 Sobre o gasto público, se há algo a fazer é administrar melhor sua destinação, já que as despesas de custeio há anos só fazem crescer, com curtos intervalos de moderação, e o aumento das transferências de renda em níveis acima do ritmo do PIB é regra desde 2004.

 Outra é o superávit primário, acumulado para desinchar a dívida pública em relação ao PIB. Nesse choque de prioridades dos governos Lula e Dilma, o investimento público tem sido o resíduo, como foi em 2011.

 É significativa a nova atitude da presidente, ainda mais com a sua experiência à frente do PAC. Ela sabe o que não anda no governo. Se o empresariado chegar junto, dá para cultivar algum otimismo.

Parceria União-Estados

 O crédito ofertado aos governadores tem condições excepcionais. O custo será de 7,1% a 8,1% ao ano, com 20 anos para pagar e um de carência, operado pelo BNDES. Se as obras incentivadas nos estados complementarem os investimentos privados – um distrito industrial, por exemplo, com porto e logística ferroviária -, a multiplicação do capital investido (ou produtividade) será maximizada.

 Dilma aprovou também o enquadramento como aporte de capital e não como receita a parcela repassada pelos estados nas chamadas PPP, de parceria público-privada, permitindo a desoneração do PIS/Cofins e do Imposto de Renda.

 Outros incentivos podem ser considerados, como o aumento do limite do endividamento dos estados que estejam com as contas em dia nos termos da Lei de Responsabilidade Fiscal. Hoje, o limite de R$ 40 bilhões já foi praticamente todo utilizado junto ao BNDES.

 Dilma deveria também cogitar o repasse voluntário e sem custo de verbas de projetos federais cuja execução possa fluir melhor sob a gestão estadual. E claro: vigiar o gasto de custeio.


  • Atualmente 3,1/5 Estrela(s).
  • 1
  • 2
  • 3
  • 4
  • 5

Rate 3,1/5 estrela(s) [ 199 voto(s) computado(s) ] Obrigado pelo seu voto!

Enviar |
Imprimir |
[ + ]
ver mais |
[ < ]
voltar |

Compartilhar
Últimas notícias

03:11 - Presidente do Fed descarta fim do laxismo, e BC ganha tempo para as contas externas e a inflação

03:00 - Criação de empregos diminui em abril e tende a avançar atrás do ritmo do PIB, mas sem demissões

04:02 - Coutinho rebate mal-estar de investidor em Nova York e expõe o país a caminho de outro salto

00:09 - Dilma governa um fim de ciclo sem que esteja claro o que há adiante - estagnação ou novo salto

02:49 - Mantega diz que emprego é tão ou mais importante que o PIB e expõe uma ideia que não é retórica

01:26 - Inflação quebra queda seriada desde janeiro e sobe 0,55% em abril, mas a taxa anual baixa a 6,49%

03:39 - Brasileiro vai reger Organização Mundial do Comércio num momento de alta tensão da economia global

02:42 - Ataque à inflação é mais desafiador em meio à exaustão dos impulsos para acelerar o crescimento

01:31 - EUA recebem a primavera reduzindo o desemprego. Aqui, o inverno da indústria continua e se alastra

03:15 - Governo pisca e a inflação sobe aos palanques, mas, se errar pouco, ela sai de cena até 2014

Todos os direitos reservados - Cidade Biz©2012    desenvolvido por  |