Casos graves de adulteração de alimentos têm sido denunciados nas últimas semanas. Para vc:
Falta fiscalização nas empresas por parte do poder público.
São crimes contra a saúde pública que precisam de punição severa.
Não são casos tão graves assim.
Não estou por dentro desse assunto.
Ver parcial de votos
 
  ANTONIO MACHADO
 

Apesar de dívida pessoal em relação ao PIB já equivaler à dos EUA, o comércio vende bem em abril

 

Indicadores sugerem, mais que fraqueza do consumo, outro perfil de despesas. Um naco crescente da renda é desviado para novos gastos fixos, como internet

15/6/2012 - 03:11 - Antonio Machado
 

 O movimento do varejo em abril, conforme o acompanhamento do IBGE, manda um recado ao governo: “Me deixe quieto, porque estou bem”.

 O aumento mensal das vendas avançou de 0,3%, em março, para 0,8%, em abril, na medida do “varejo restrito”, que exclui carros, peças e materiais de construção. Contra igual mês de 2011, o ritmo caiu de 12,5%, em março, para 6%, o que é bom demais nos tempos atuais.

 É o que se vê pela métrica do que o IBGE chama de “varejo ampliado”, no qual entram os itens excluídos do outro conceito. O aumento em abril coincide com o de março, respectivamente, +0,7% e +0,6%. Mas tal estabilidade é apenas estatística.

 O segmento de moto, carro e peças recuperou parte da queda de 1,3% em março, crescendo 0,2% em abril, enquanto o outro item, de material de construção, avançou de 0,8% para 1,8%. O dado desestabilizador foi o do varejo de carros.

 Consolida-se tal conclusão conferindo-se a evolução anual. Embora o ritmo do volume de venda do varejo ampliado tenha caído de 10,4% em março, sobre igual mês de 2011, para 2,9% em abril, o que o fez fraquejar foi o ramo de veículos. Em abril, as suas vendas recuaram 4,4% sobre 2011, contra expansão de 5,7% no mês anterior. Mas estão em recuperação, graças aos incentivos acionados pelo governo.

 Os dados iniciais de junho, segundo a área de estudos do Bradesco, apontam a aceleração das vendas de automóveis. Para o resto do ano, diz a análise do Bradesco, o desempenho do varejo deverá manter-se “favorável”, sustentado pelo crescimento do consumo de famílias.

 No acumulado do quadrimestre, a força do consumo aparece com maior nitidez. As vendas no conceito restrito foram 9,2% maiores que as registradas de janeiro a abril de 2011, e, na medida ampliada, 6,2% acima. Entre os dez segmentos do comércio pesquisados pelo IBGE, o único a cair no quadrimestre foi o de veículos, com queda de 0,3%.

 O comportamento do comércio revela que não é o seu desempenho que levou o Produto Interno Bruto (PIB) a exibir desempenho medíocre a partir de meados do ano passado, provocando sobressaltos no governo e precipitando medidas de incentivo para impulsionar o consumo.

Bronca sem fundamento

 “Considerando as perspectivas positivas para o varejo no resto do ano, é difícil extrair algum questionamento dos números da pesquisa do IBGE sobre a capacidade do consumo de bens”, avalia o economista Fernando Montero. As taxas de expansão das vendas são expressivas.

 Nada justifica a bronca da presidente Dilma Rousseff com a crítica ao governo por acionar mais o incentivo ao consumo, especialmente à base do endividamento das famílias, que o investimento para levar o crescimento do PIB este ano a superar o resultado de 2011 (2,7%). O receio é que fique abaixo.

 O PIB sucumbe à estagnação da indústria - abalada pela concorrência dos importados, devido ao alto custo de produção no país – e à queda do investimento, sobretudo o público.

Endividamento a la USA

 Dilma alega, ao voltar ao assunto na quarta-feira, discursando no Rio, que o país “tinha e tem um consumo reprimido”, e isso porque “milhões de brasileiros” não têm acesso ao mercado. Seu raciocínio está correto, mas não tem relação com o momento da economia.

 O que se afirma é que o comprometimento da renda das famílias está alto, tendo subido, na última leitura do Banco Central, de 22% para 22,3% entre fevereiro e março, elevando o nível de inadimplência, nos mesmos meses, de 7,4% para 7,6%.

 Não significa que a relação do crédito sobre o PIB esteja exaurida. Ela é de 56% sobre o PIB. No Chile, por exemplo, é de 86%. Mas no segmento do crédito ao consumo já começa a chegar ao padrão das velhas economias.

Outro perfil de consumo

 Nos EUA, o crédito ao consumo, excluindo hipotecas, está em 16% do PIB, segundo análise da Quest Investimentos, o que se compara a 12% no Brasil. Em 2004, essa relação era de 5%. Agora, ambas as medidas estão parelhas. Detalhe: a análise consensual entre os políticos e economistas (lá, aqui e no mundo) é que o elevado endividamento das famílias retarda a retomada do crescimento e do emprego nos EUA.

 A pesquisa do IBGE traz um dado para reflexão. Em abril, dos dez segmentos do varejo pesquisados, só dois tiveram queda de vendas no mês, destacando-se o mau resultado dos supermercados, com queda de 0,8% – terceiro recuo mensal, depois da expansão recorde em janeiro (8,4%).

 A consultoria LCA acha que pode ser um ajuste metodológico. Mas pode indicar que o endividamento pessoal, mais os novos gastos permanentes, como com celular e prestação da casa própria, desviou, por ora, a compra de bens básicos. Só que sem reduzir o consumo.

Mágica perdeu a graça

 O confronto dos indicadores sobre o comércio sugere, mais que a fraqueza do consumo, outra distribuição das despesas das pessoas. Elas continuam consumindo, mas retendo cada vez mais um naco maior da sua renda com compromissos considerados essenciais, o que é uma percepção mutante. Tome-se a internet. Quem hoje vive sem ela?

 Isso não é pueril, pois tais gastos desfalcam a renda que estaria disponível para compras de maior valor, como a troca do carro. Tem ainda o movimento criado pelo governo com a redução de imposto com data de validade. Isso tende a concentrar o consumo de certos bens, esvaziando-o após passar o motivo da compra antecipada.

 Acaba como mágica que perde a graça de tanto ser praticada. Para a indústria, fica o vazio, passado o incentivo. Não é por falta de demanda que o PIB está fraco. Ao contrário, é ela que o salva, como o BC deve indicar, outra vez, com o seu índice antecedente do PIB. Se tiver crescido em torno de 0,25% no mês, significará que o PIB está correndo ao ritmo de 3% anualizado. É pouco, mas, sem a força do consumo, seria menor.


  • Atualmente 3/5 Estrela(s).
  • 1
  • 2
  • 3
  • 4
  • 5

Rate 3/5 estrela(s) [ 154 voto(s) computado(s) ]

Enviar |
Imprimir |
[ + ]
ver mais |
[ < ]
voltar |

Compartilhar
Últimas notícias

03:19 - Desemprego baixo, mas subindo, é sinal de firmeza. E de riscos, com o mundo em transformação

03:11 - Presidente do Fed descarta fim do laxismo, e BC ganha tempo para as contas externas e a inflação

03:00 - Criação de empregos diminui em abril e tende a avançar atrás do ritmo do PIB, mas sem demissões

04:02 - Coutinho rebate mal-estar de investidor em Nova York e expõe o país a caminho de outro salto

00:09 - Dilma governa um fim de ciclo sem que esteja claro o que há adiante - estagnação ou novo salto

02:49 - Mantega diz que emprego é tão ou mais importante que o PIB e expõe uma ideia que não é retórica

01:26 - Inflação quebra queda seriada desde janeiro e sobe 0,55% em abril, mas a taxa anual baixa a 6,49%

03:39 - Brasileiro vai reger Organização Mundial do Comércio num momento de alta tensão da economia global

02:42 - Ataque à inflação é mais desafiador em meio à exaustão dos impulsos para acelerar o crescimento

01:31 - EUA recebem a primavera reduzindo o desemprego. Aqui, o inverno da indústria continua e se alastra

Todos os direitos reservados - Cidade Biz©2012    desenvolvido por  |