|
Levantamento realizado pelo Procon-SP detectou diversos problemas na avalanche publicitária desencadeada pelos principais bancos em torno da redução de juros em seus serviços bancários. No estudo, feito com os anúncios do Bradesco, HSBC, Itaú, Santander, Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil, o órgão percebeu informações conflitantes e insuficientes para que o consumidor escolha a melhor opção dentre as oferecidas.
O diretor executivo do Procon, Paulo Arthur Góes, afirma que as instituições serão notificadas para provar a veracidade das informações colhidas nos sites e releases enviados para a imprensa. “A orientação para o consumidor é que ele pesquise para escolher melhor, mas é obrigação das instituições financeiras informarem de forma clara e didática tudo sobre o produto que está sendo adquirido, incluindo dados sobre possíveis riscos e perdas”.
Paulo Góes diz ainda que as reduções, divulgadas amplamente na mídia, acabam beneficiando apenas o grupo de correntistas que optem por pacotes de serviços ou sejam privilegiados por receberem o salário no banco.
Veja a análise completa do Procon aqui.
Falhas e informações conflitantes - Dirigidos, principalmente, aos correntistas que pretendem renegociar dívidas ou contrair empréstimos, os anúncios dos bancos não informam a taxa máxima oferecida ao produto. Segundo as tabelas de taxas praticadas em 2 de maio solicitadas às instituições, para o cartão de crédito rotativo do Bradesco, por exemplo, a taxa mínima é de 2,10% ao mês e a taxa máxima pode chegar a 14,99%. ‘Diferença significativa”, observa o Procon, No documento enviado pelo Itaú, a taxa mínima para o crédito direto ao consumidor (CDC) para financiamento de veículos é de 0% e a máxima, 2,82%.
Veja a tabela completa com as taxas por produtos aqui.
O conflito de informações, foi outro problema detectado pelo estudo. Um exemplo é o anúncio de redução de 87% na taxa de juros do “Cartão Azul”, da Caixal, apresentado ao consumidor com a taxa de 2,85% ao mês. Mas o produto é novo e, portanto, não há números anteriores para fazer qualquer comparação. Para chegar nessa diferença, a Caixa comparou com outro produto já existente e usado por seus clientes.
O levantamento da divulgação feita nos sites dos bancos indica que há confusão também na nomenclatura dos produtos oferecidos, o que pode dificultar a comparação que o consumidor deve fazer. Um exemplo é a divulgação do Bradesco sobre a taxa que informa ser para crédito pessoal. Neste caso, o consumidor precisa de mais detalhes, pois o banco possui diversas linhas de crédito pessoal e com uma taxa de juros para cada uma. O limite de crédito pessoal, por exemplo, tem taxa de 6,91%, enquanto o crédito pessoal online fica em 5,59% ao mês.
A portabilidade de crédito – quando o consumidor transfere sua dívida com o banco para outra instituição com taxas mais atrativas, mantendo o número de parcelas a pagar – também está sendo confundida com o refinanciamento, que amplia o número e reduz o valor da parcela, porém tem um custo total a pagar maior do que a dívida original.
Veja o relatório da pesquisa aqui.
Dicas para o consumidor - Para Paulo Arthur, as informações divulgadas pelos bancos ainda estão muito confusas, por isso o consumidor deve ter o máximo de cuidado para trocar a instituição e renegociar sua dívida. “É preciso muita pesquisa e cautela, pedindo sempre informações claras e precisas do banco, até que se tenha a total compreensão e certeza para o próximo passo”, aconselha.
|