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Taxa Selic deve ser reduzida para 8,5% na próxima reunião do Copom, aposta o Bradesco

 

Banco Central voltou a deixar a trajetória da política monetária mais condicionada ao cenário econômico

26/4/2012 - 12:30 - Redação
 

Depec-Bradesco *

A ata da Copom revelou que o Banco Central, após adotar comunicação mais explícita em seus últimos documentos, voltou ao padrão de deixar as portas abertas para a reunião seguinte, condicionando a decisão futura aos dados, ou seja, ao cenário prospectivo e aos riscos envolvidos. Acreditamos que o BC deva avançar no ciclo de afrouxamento monetário com a taxa Selic sendo levada a 8,5% na próxima reunião do comitê em 29 de maio, permanecendo neste patamar ao longo de 2012.

Dessa maneira, a ata confirmou a leitura implícita na curva prefixada de que os juros poderiam atingir 8,50%, movimento observado após o comunicado que seguiu a divulgação dessa última decisão que levou o juros de 9,75% a 9,00%. Se confirmada nossa expectativa, a Selic seria levada para abaixo do mínimo alcançado em 2009.

Ao contrário da última Ata, onde indicava que apesar da aceleração do ajuste da taxa de juros não deveríamos ter modificação do ajuste total pretendido, esta Ata deixou em aberto a possibilidade de novo corte na próxima reunião (embora reduzindo o passo) baseando-se na fragilidade do cenário global e no ritmo mais lento da retomada da atividade doméstica: “em suma, o Copom considera que, neste momento, permanecem limitados os riscos para a trajetória da inflação.

O Comitê nota ainda que, até agora, dada a fragilidade da economia global, a contribuição do setor externo tem sido desinflacionária.” (parágrafo 30). Adicionalmente, “diante do exposto, mesmo considerando que a recuperação da atividade vem ocorrendo mais lentamente do que se antecipava, o Copom entende que, dados os efeitos cumulativos e defasados das ações de política implementadas até o momento, qualquer movimento de flexibilização monetária adicional deve ser conduzido com parcimônia” (parágrafo 35).

A manutenção do passo de 75 pb foi justificado pela decepção com o ritmo de recuperação da atividade doméstica observada neste início de ano, bem como na contribuição desinflacionária do setor externo até este momento. Contudo, a leitura do cenário internacional não nos pareceu mais negativa comparativamente à visão exposta na Ata anterior, pois destacaram que “pouco se alteraram as restrições às quais estavam expostas diversas economias maduras” (parágrafo 22) e retiraram a avaliação de que as restrições se prolonguem por um período de tempo maior do que o antecipado.

Foi mantida a percepção de que uma solução definitiva para a crise financeira europeia foi postergada, sendo ainda importantes os riscos associados ao processo de desalavancagem de bancos famílias e governos, deixando o nível de incerteza “muito acima do usual” (parágrafo 29). Ao mesmo tempo, retiraram a sinalização de que os riscos à concretização de um cenário de inflação convergindo para a meta são decrescente, embora a taxa de inflação continue se posicionando em torno da meta em 2012 no cenário central com que trabalho o Comitê, o que favorece a expectativa sobre a redução do passo do corte na taxa de juros na próxima reunião.

Adicionalmente, a ata retirou a observação sobre um impacto benigno dos preços das commodities. Destacou também a redução da mediana das projeções de inflação do mercado para 2012 e a elevação das mesmas para 2013. Ao mesmo tempo, apesar da surpresa negativa com a atividade no curto prazo, a projeção da inflação no cenário de referência foi elevada e não mais aponta inflação abaixo do valor central da meta em 2012, e sim em torno dela, elevação também observada no cenário de mercado; já as projeções para 2013 ficaram mais pressionadas no cenário de referência e se mantiveram estáveis no de mercado.

Com relação à leitura sobre a atividade, apesar da surpresa com o ritmo lento de recuperação atual, o Copom não alterou significativamente sua visão prospectiva, destacando as perspectivas favoráveis para os próximos trimestres, apesar da assimetria entre os diferentes setores e da expansão moderada do crédito, observando a melhora na confiança dos consumidores e dos empresários.

Assim, em relação aos movimentos a serem adotados nas próximas reuniões, destacamos como ponto a favor de mais um corte de 50 pb em maio o fato do Banco Central ter demostrado preocupação com o cenário externo e com a demora em observar sinais mais contundentes de recuperação da atividade doméstica, ao mesmo tempo que enfatiza que “os efeitos cumulativos e defasados das ações de política implementadas até o momento” (parágrafo 35) exigem maior “parcimônia” na condução da política monetária daqui para frente.

A elevação das projeções de inflação nos modelos do BC ao mesmo tempo em o fato de que a atividade não mostrou a recuperação desejada até o momento já foi incorporado nos leva a apostar na manutenção da taxa nem 8,5% ao longo de 2012.

 Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos do Bradesco.


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